segunda-feira, 11 de abril de 2016

REVOLTA DE SOLDADOS 1687-


1687/04/02
CARTA do governador e capitão-general de Cabo Verde, VERÍSSIMO CARVALHO DA COSTA, e do capitão-mor de Cacheu, ANTÓNIO DE BARROS BEZERRA, ao rei [D. Pedro II] informando que concordavam na forma de conservar e aumentar aquelas conquistas e atenuar a falta de moradores e as quebras no comércio: construir as fortalezas de Bissau e de Bolor para impedir o comércio francês e inglês, respectivamente; fazer duas galeotas idênticas às da Índia, com duas peças na proa, para controlar as actividades naqueles rios, recorrendo aos conhecimentos do piloto da nau Milagres, JOÃO GOMES; conquistar as terras circunvizinhas com o auxílio de 600 homens, mesmo que fossem criminosos porque o clima era punição suficiente; informavam que o meio de sustentar aquele lugar era permitir, mesmo que provisoriamente, o comércio com os estrangeiros, porque até à conclusão das fortalezas receberiam os direitos; declarava o governador que o rei de Bissau e os seus vassalos tinham apreciado os presentes, bem como a presença do padre Francisco de Pinhel e mais missionários, e tinham enviado uma comitiva com três escravos para enviar ao rei de Portugal, e indicado o melhor local para a fortaleza de Bissau, para a qual fora nomeado Manuel Teles de Avelar.
AHU-Guiné, cx. 3, doc. 34.
AHU_CU_049, Cx. 2, D. 177.
1753/02/09
«A segunda fortaleza de Bissau
De facto, em Janeiro de 1753, (D.José I) enviava para os rios da Guiné a nau de guerra, N.a S.a da Estrela, acompanhada de um aviso e mais dois navios com soldados, operários, boticário com medicamentos, material de guerra e de construção. O comandante desta pequena esquadra levava instruções para restabelecer o pôsto de Bissau, de acôrdo com o capitão-mor de Cacheu.
Os navios fundearam primeiro neste último pôrto, seguindo dali para Bissau, em 9 de Fevereiro. Em terra, o govêrno português era representado por um grumete nomeado cabo de esquadra que correspondeu com várias saudações às salvas feitas de bordo.
A entrada dos barcos portugueses provocou grande entusiasmo entre os habitantes cristãos, que ó exteriorizaram em manifestações de regozijo durante 10 dias. Tratou-se de nomear um capitão-tenente para a Praça de Bissau e do desembarque do material e doentes que se encontravam a bordo.
O régulo papel, Palanca, veio cumprimentar as autoridades e no dia 17 de Fevereiro realizou-se a cerimónia de saudação à bandeira portuguesa, lavrando-se nesta ocasião um auto de fidelidade dos chefes indígenas. No entanto, esta cerimónia efectuou-se numa atmosfera de mútua desconfiança. O régulo fez-se acompanhar de 200 guerreiros e, como havia razões para se duvidar da sua lealdade, o comandante da esquadra desembarcou quási tôda a tripulação e tomou as necessárias precauções.
Com efeito, logo no dia seguinte ao da cerimónia, o gentio papel começou a hostilizar a praça, procurando dificultar as obras da fortaleza. Houve luta em que as nossas forças perderam 6 homens, mas o ataque dos papeis foi repelido.
Dois dias depois, tendo o comandante da esquadra disposto as suas fôrças com intenção de atacar as povoações indígenas, o régulo Palanca enviou seus emissários a pedir paz. Não se fez o ataque projectado, mas o indígena não deixou de hostilizar a Praça.
A guerra prolongava-se assim sob a forma de pequenas escaramuças e actos isolados, de que o régulo procurava desculpar-se sob vários pretextos não deixando de visitar as autoridades e fazer as suas transacções. Em troca dos soldados feridos ofereceu o mesmo número de escravos e autorizou a sua gente a trabalhar nas obras da fortaleza.
Os operários eram pagos à razão de 400 réis por dia ou 80 fios de contas de vidro. As construções mais indispensáveis terminaram em 22 de Março e nesse dia se deu posse ao capitão-cabo de Bissau, na presença do régulo Palanca e mais 300 guerreiros indígenas. Houve grande algazarra de tambores, clarins e salvas de morteiros. No dia seguinte, celebrava-se missa a bordo da nau N. S. da Estrêla, comemorando o acontecimento.
Nas lutas travadas durante êste período de cêrca de 2 meses haviam perecido 9 soldados portugueses e perto de 500 papeis.
Registaram-se, além disso, muitos óbitos devido· às febres e ao escorbuto provocado por falta de alimentos frescos. Entre as vítimas contava-se o capitão engenheiro que ia a bordo com o encargo de dar o plano da fortaleza. A nau de guerra deixou Bissau em 27 .de Março de 1753, de regresso para Lisboa.
Foi desta forma restabelecida a capitania de Bissau e para o seu comando foi nomeado, em 16 de Novembro, Nicolau de Pina Araújo, com a indicação de prestar juramento nas mãos do capitão-mor de Cacheu, isto é, considerando-se subordinado a esta capitania. Pelo novo comandante de Bissau foram enviados 2 baús com fardas e presentes para o régulo papel.
Para completar a guarnição da fortaleza foi determinado em Janeiro de 1754 que o governador de Cabo Verde destacasse para Bissau 50 soldados caboverdeanos, tirados da guarnição de Santiago, que seriam substituídos por outras tantas praças europeias.
Nesta ordem de ideas, foram enviados de Portugal para Santiago 50 homens representados por criminosos e indesejáveis. Por sua vez o governador de Cabo-Verde enviou para Bissau 50 soldados dos menos recomendáveis. Em Outubro dêsse mesmo ano, o número destas praças em Bissau estava reduzido a vinte por deserção da sua maior parte.
Por seu lado, também os oficiais não se demoravam muito tempo nos seus postos, por não poderem resistir à malignidade do clima. Em certa altura por falta de um oficial capaz de tomar a direcção das obras do quartel, foi esta entregue, em 1758, ao padre Manuel Vinhais Sarmento. Tôdas estas construções eram, porém, provisórias e imperfeitas. A verdadeira Fortaleza de S. José de Bissau, aquela que ainda hoje existe na cidade, começou a ser construída no ano de 1765.» 
João Barreto, HISTÓRIA DA GUINÉ 1418-1918, edição do autor, Lisboa, 1938, pgs. 150-152
1754/10/25  
O capitão-mor de Bissau pede ao Governador Geral de Cabo Verde um engenheiro, gente para a respectiva guarnição e trabalhadores para a reconstrução da fortaleza pois que eram insuficientes os naturais de Cabo Verde ali residentes. Só em 1766 foi atendido tal pedido, tendo a corveta «Nossa Senhora da Esperança» levado 450, entre eles haviam embarcado  também 270 vadios e criminosos.
1762/12/13
Contando um ano no exercício das suas funções, JOÃO VIEIRA DE ANDRADE é assassinado na sua casa, na vila da Praia. Na noite de 13 de Dezembro de 1762, um bando de homens armados, após arrombarem a porta à machadada, entraram na casa do ouvidor, mataram-no com zagaias e machados. Os malfeitores resistiram ao corpo de tropa militar, dizendo que também eram soldados e que estavam cumprindo ordens do governador das armas.
Não se tratava de episódio singular mas de mais um dos cerca de 20 oficiais régios superiores assassinados em um século entre governadores, ouvidores ou sindicantes. Pombal responde com o envio de duas fragatas de guerra, a que se juntaram duas embarcações da companhia do Grão-Pará e Maranhão que sitiaram a ilha de Santiago cerca de três meses até conseguirem prender os principais mandantes da elite e seus operacionais vadios. Sentenciados em processos judiciais sumários, os principais mandantes da elite e seus operacionais forros foram presos e enviados para Lisboa. À semelhança dos Távoras, as suas cabeças rolaram publicamente e foram depois reenviadas para Santiago onde foram colocadas em paus junto do local do crime.
18 de Dezembro de 1764, A.H.U., Cabo Verde, Papéis Avulsos, cx. 28, doc. 48 Collecção das Leys, Decretos e Alvarás..., vol. II (1760-1769), p. 399: “Sentença proferida na Caza da Supplicação, contra os réos comprehendidos na devaça, que Sua Magestade Fidelissima mandou tirar pela morte do Bacharel João Vieira de Andrade, sendo Ouvidor nas Ilhas de Cabo Verde, Lisboa, MDCCLXIV”. Ver supra 184, 246, 260, 267, 269, 300, 333, 336, 339, 363.
Esta foi a advertência trágica que o Marques de Pombal fez aos “Brancos da Terra” da ilha de Santiago para que deixassem de ter desejos de autonomia e para que cessassem com os actos de rebeldia e levantamentos contra os representantes do poder central português
Quanto aos vadios criminosos, foram aliciados pelo novo governador BARTOLOMEU TIGRE com uma falsa promessa de perdão régio a servir na construção da fortaleza de Bissau construída a expensas da Companhia do Grão-Pará e Maranhão. Apresentaram-se voluntariamente cerca de 1000 homens indiciados em crimes de morte ou pequenos delinquentes ou ladrões formigueiros, como eram localmente conhecidos. Era o caminho para a morte certa provocada pelas febres palúdicas e pela malária na Costa da Guiné. 
O desembargador ouvidor, JOÃO VIEIRA DE ANDRADE, foi assassinado no interior da ilha de Santiago, ao tentar fazer com que os rendeiros cumprissem as suas determinações. Tais incidentes fizeram com que nenhum oficial quisesse fazer deligências pelo interior da ilha de Santiago, como também reduziu drasticamente o número de juizes nos concelhos. Os juízes eram frequentemente acusados de "despotismo" e''violências" pelos rendeiros, como também de favorecerem os interesses dos morgados. Por isso, nenhum deles quiseram ocupar cargos na administração da justiça, com medo de ser assassinados pelos rendeiros. Com efeito, as autoridades administrativas davam pouca importância às reclamações feitas de forma individualizada por parte dos rendeiros.
1765/01/24
CARTA do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA ao rei D. José I informando que chegou a Bissau, após escala em Cabo Verde, tendo convocado o padre do hospício de Bissau, frei FERNANDO VINHAIS, para que o informasse do estado da terra; afirmando ter esperado a bordo da nau o consentimento do rei de Bissau para construção da fortaleza, tendo-a recebido através do fidalgo Taca, que viera na qualidade de emissário; sobre a saída das embarcações daquele porto; acerca da chegada de marinhos e soldados para auxiliarem na construção da fortaleza, juntamente com os homens vindos de Cabo Verde, a gente preta e os degredados; referindo a chegada do capitão-mor de Cacheu, o capitão cabo SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR; comunicando que recebendo uma quantia de degredados na corveta Nossa Senhora da Esperança e iate São Joaquim enviados pelo Bispo de Cabo Verde, na companhia de alguns homens; dando conta do levantamento de alguns soldados de Cabo Verde contra o alferes TORREZÃO e de uma revolta dos gentios da ilha de Bissau com a intenção de matarem os brancos, tendo ordenado que JOÃO DA COSTA ATAÍDE ficasse de sentinela numa casa do rei de Bissau; sobre a planta da fortaleza; solicitando determinações acerca dos criminosos enviados de Cabo Verde e se era de direito pagar e dar comedorias aos trabalhadores na época das águas quando interrompiam o trabalho; acerca da falta de dinheiro para fazer os pagamentos, em virtude da Companhia do Pará e Maranhão ter mandado verbas insuficientes.
Anexo: relação.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 42; cx. 25, doc. 36.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 774.
1765/09/00
RELAÇÃO dos cabouqueiros que se achavam nas cadeias da Corte e os condenados à calceta que podiam ser enviados para servir na fortaleza de Bissau.
Anexo: escritos e relações.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 45.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 777.
1765/10/02  
«A Terceira Fortaleza de Bissau
O Govêrno de D. José I não tinha descurado da ocupação da ilha de Bissau, e assim em Setembro de 1765 enviou a Santiago a corveta N. S. de Esperança com instruções para o governador da província completar o seu carregamento com mantimentos e pessoal das ilhas. Ordenava-se para êste efeito que o governador e o ouvidor prendessem os vadios e os condenados por crimes comuns e os remetessem para Bissau, onde ficariam em regime de liberdade, trabalhando nas obras da fortaleza com o salário diário de 180 réis, além da comida e uma ração de aguardente.
Em cumprimento destas determinações, o ouvidor de Santiago fez uma correição pelo interior da Ilha e prendeu 270 homens que se juntaram a 450 soldados retirados das companhias do terço, na razão de 15 homens por cada uma das 30 companhias.
Entretanto saía de Lisboa, em 2 de Novembro, a fragata N S.ª da Penha de França, sob o comando de Luiz Catano de Castro, trazendo a bordo além de mais pessoal e material, o chefe da expedição João da Costa Ataíde Teive, tendo por adjunto o tenente de granadeiros de Lisboa, Bernardino Alvares de Almada.
A fragata e a corveta, acompanhadas de mais cinco navios da Companhia do Grão Pará, saíram da vila da Praia, transportando ao todo 750 homens, incluindo um cirurgião, 25 cabos, 10 carpinteiros e 20 pedreiros. Levavam, além disso, 200 bois na sua maior parte em carne salgada, 117 moios de milho, 73 moios de farinha de milho, 15 moios de cuscus, 213 porcos (alguns salgados), 1.900 galinhas, 2 barris de mel e ferramentas ..
Esta pequena esquadra chegou a Bissau em 1 de Janeiro de 1766, começando imediatamente os trabalhos. A planta da fortaleza, com 67 braças de cada lado, foi esboçada pelo tenente-coronel Manuel Germano da Mata, capitão-mór da Praia, e a fortaleza recebeu o nome de S. José de Bissau, em homenagem ao rei que a mandara construir. As despezas da construção eram feitas de acôrdo com a Companhia do Grão Pará, que adiantava em Bissau as quantias necessárias, liquidando em Lisboa as suas contas com o Tesouro Real.
As obras deram a Bissau uma actividade desconhecida naquela povoação. Chegaram a empregar-se diàriamente cêrca de 1.500 homens nos trabalhos, não tendo havido nesta ocasião grande resistência da parte dos papeis, graças à melhor disposição em que viviam com os moradores de Bissau e corn os religiosos Fr. Fernando e Manuel de Vinhais Sarmento.
Pode dizer-se que o maior inimigo das obras foram as moléstias que dizimavam os operários. Houve dias em que se registarão mais de 10 óbitos, sendo causados na sua maior parte por febres e escorbuto. Os, cirurgiões da. época não conheciam ainda a necessidade de alimentos frescos e o regime alimentar de todo o pessoal era constuído principalmente por farinhas de milho e carnes salgadas remetidas de Cabo Verde.
Logo nos primeiros meses faleceram o cirurgião e o boticário, pelo que a direcção da enfermaria foi entregue a um oficial de granadeiros.
Calcula-se que as obras da fortaleza de S. José de Bissau custaram mais de mil vidas, vitimadas por doenças locais. Além do escorbuto, lavrava entre os operários e militares uma moléstia de carácter febril, da qual não ficou uma descrição detalhada para se poder fazer um diagnóstico retrospectivo. É possível que se tratasse do paludismo sob forma aguda, mas também não repugna admitir que existisse ao mesmo tempo a febre amarela.
Pelo menos foi esta a doença que mais castigou as colónias europeias que pouco depois os ingleses tentaram estabelecer na Serra Leoa.
As noções que hoje possuímos sôbre a epidemiologia da febre amarela permitem-nos aceitar a hipótese de que esta doença, grassando sob forma endémica e latente entre os indígenas mais ou menos refractários, tornasse uma forma epidémica e aguda tôdas as vezes que um grupo de indivíduos estranhos à terra, em especial europeus, tentava fixar-se em qualquer dos seus portos.
O vómito negro, ao lado do paludismo, contrariava assim irremediavelmente tôdas as tentativas de colonização, em pequena ou grande escala, feitas várias vezes por portugueses, franceses e ingleses em tôda a -côsta africana situa.da ao Sul do cabo Verde.
Hoje que temos uma tendência fácil para criticar e condenar o abandono a que os nossos governantes haviam votado a colónia de Guiné, não devemos esquecer que os ingleses chamavam a esta zona o «cemitério dos brancos» (white man's grave) e aos navios que cruzavam.aquelas águas, a «esquadra do enterro» (coffin squadron).
Isto no século XlX, quando se achavam consideravelmente melhoradas as condições da vida colonial, a higiene e as relações com os indígenas.
No entanto as estatísticas das tropas britânicas da Serra Leoa dizem-nos que, durante 8 anos (1822 a 1830) dos 1.658 ingleses desembarcados faleceram 1421. Dos restantes 237, a maior parte foi julgada incapaz para o serviço!
Com a morte do engenheiro incumbido da direcção das obras da fortaleza de Bissau, foi encarregado dêste serviço Manuel Germano da Mata, antigo capitão-mór da vila da Praia. Vieram a Bissau, para, auxiliar nos trabalhos, o capitão de Cacheu Sebastião da Cunha Soto Maior com 45 escravos e o capitão-cabo de Ziguichor, Carlos de Carvalho Alvarenga, com 50.
Em atenção aos serviços prestados, Soto Maior foi nomeado capitão-mor de Bissau, mas tendo provocado desordens devido ao seu vício de embriaguez foi sindicado pelo ouvidor Gomes Ferreira e demitido do cargo.
Calcula-se que as obras da Fortaleza de Bissau tenham custado cêrca de 50 contos de réis.
O ritmo das obras foi decrescendo sucessivamente, concorrendo para isso também a irregularidade no pagamento dos salários e doutras despesas que competia à Companhia do Grão Pará. A sua direcção preocupava-se mais com os seus próprios interesses e passou a fazer os pagamentos em géneros e artigos de vestuário fixando-lhes um preço superior ao do mercado e retirando assim duplos benefícios.»
João Barreto, HISTÓRIA DA GUINÉ 1418-1918, edição do autor, Lisboa, 1938, pg. 152-155
Aprestou-se para largar rumo a Bissau a corveta «N." S." da Penha de França», sob o comando do capitão de mar e guerra LUÍS CAETANO DE CAS­TRO. A bordo seguiam soldados, operários, e materiais para a construção da fortaleza de S. José de Bissau. Nunca a praça vira tão grande número de trabalhadores (1.400) e tropa (2.500 sol­dados).
«No dia 1 de outubro de 1765 fundeou na villa da Praia a corveta Nossa Senhora da Esperança, que levou ordens ao governador para a carregar de mantimentos e soldados para irem fazer a fortaleza de Bissau.
Como já vimos, foi em 1753 que se expediram as ordens para se construir essa fortaleza.
No dia 10 formaram as companhias do terço, tirando-se de cada uma 15 homens, prefazendo 150, que deviam seguir, além dos criminosos de todas as ilhas, conseguindo-se d' esta forma um total de 720 homens e mais 10 carpinteiros.
Como não houvesse prisões para receber 270 criminosos, mandou-os pôr em liberdade, comparecendo todos no dia aprazado, incluindo o coronel Manoel Semedo de Andrade, accusado de varios crimes.
Em 2 de novembro sahiu de Lisboa a fragata Nossa Senhora da Penha de França, sob o commando do capitão de mar e guerra Luiz Caetano de Castro, e n'ella embarcou João da Costa de Athayde Teive para construir essa fortaleza.
A fragata recebeu muitos soldados e operarios, que se abarracaram em terra.
Para tomar conta dos soldados e materiaes nomeou o commandante do campo, Teive, o tenente da 1.ª companhia de granadeiros de Lisboa, Bernardino Antonio Alvares de Andrade, que, tendo sido nomeado engenheiro das obras, foi lambem encarregado da direcção do hospital, que logo se construiu para tratamento dos enrermos, por não ser bastante a vigilancia dos enrermeiros. Como administrador do hospital arbitrou-se-lhe 600 réis diarios.
A construcção da fortaleza começou em 6 de dezembro de 1765, e desde essa data se passou a denominar S. José de Bissau, por ter sido el-rei D. José quem a mandara construir.
Para defender essa construcção havia alli 2:500 soldados de tropa regular, e um corpo de 1:400 homens auxiliares, que serviam de trabalhadores.
A fragata Nossa Senhora da Penha de França largou de Bissau em 9 de abril de 1766, achando-se jã as obras da fortaleza muito adiantadas. A sua construcçlo durou quasi dez annos, trabalhando-se activamente n'ella desde 1766 até julho de 1775, em que se concluiu.» –
Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte III, pgs. 46-47, Lisboa, 1906
1766  
O capitão-mór de Bissau pede ao Governador Geral de Cabo Verde um engenheiro, gente para a respectiva guarnição e trabalhadores para a reconstrução da fortaleza pois que eram insuficientes os naturais de Cabo Verde ali residentes. Só em 1766 foi atendido tal pedido, tendo a corveta «Nossa Senhora da Esperança» levado 450, entre eles haviam embarcado  também 270 vadios e criminosos.
1766/01/01

Começaram os trabalhos da construção da terceira fortaleza de Bissau sendo o projecto do tenente-coronel MANUEL GERMANO DA MATA. Os materiais e o pessoal desembarcaram da fragata «N.ª S.ª da Penha de França» e da corveta «N.ª S.ª da Esperança». Os operários eram constituí­dos por 450 soldados retirados das companhias do terço da Ilha de S. Tiago de Cabo Verde e por condenados e vadios naquela ilha com esse fim e que eram em número de 270.
1766/04/06
OFÍCIO do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA ao secretário de estado da Marinha e Ultramar Francisco Xavier de Mendonça Furtado sobre os navios que chegariam em Bissau para integrar a expedição; dando conta que chegou naquela praça em Dezembro de 1765, e da agressão sofrida por alguns marinheiros da expedição após terem saído dos limites à procura de palha para as camas dos doentes, reiterando que averiguou a situação e castigou os negros agressores, parentes de três régulos, com a ajuda do capitão tenente JOÃO DA COSTA E ATAÍDE, o capitão cabo SEBASTIÃO DA CUNHA e do seu primo cabo CARLOS DE CARVALHO; informando que as muralhas estavam finalizadas, e do bom serviço do comandante da fragata de guerra LUÍS CAETANO DE CASTRO DE VASCONCELOS na obra da dita fortaleza, dos ferimentos sofridos pelo sargento-mor engenheiro, do elevado número de mortes, a falta de botica e mantimentos; dando conta que o padre presidente do hospício de Bissau e alguns oficiais estavam a trabalhar na reestruturação do edifício do hospício que estava em ruínas; expondo que para aquela expedição foram 12 oficiais de Cabo Verde que regiam as companhias, e muitos criminosos condenados; e sobre a despesa feita com o rei de Bissau e outro régulo seu valido.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 52.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 783.
1766/04/14
O sargento-mor foi obrigado a fazer algumas alterações à planta original que trouxe de Lisboa e comunicou o facto à Companhia em 14 de Abril de 1766.
Com o concurso da Companhia de Grão Pará e Maranhão, foi organizada uma frota que em Cabo Verde embarcou muita gente, compelida a ir trabalhar nas obras de fortificação que desta vez eram de maior vulto.
1766/05/11
OFÍCIO do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA ao provedor e deputados da Companhia de Grão-Pará e Maranhão sobre a execução de umas ordens de 29 de Março de 1766, mencionando o alívio que sentiu com a chegada dos mantimentos para a subsistência da gente da expedição e do dinheiro para os pagamentos pelo bergantim São Marçal; informando que mandou o iate São Joaquim e a corveta Nossa Senhora da Esperança para as ilhas de Cabo Verde buscar os mantimentos e dinheiro; acerca de ter sido informando pelo fiel da Companhia Feliciano António que a falta de mantimentos fez com que os homens da expedição ameaçaram fazer um levantamento para roubarem a casa da Companhia e unirem-se ao gentio, tendo participado o facto ao comandante da fragata Nossa Senhora da Penha de França frei LUÍS CAETANO DE CASTRO DE VASCONCELOS; acerca do andamento dos trabalhos em Bissau e sobre o pedido de descanso feito pelo soldado da companhia do capitão MANUEL DE BRITO que despontou numa série de acontecimentos que levou a uma pequena rebelião que terminou com a intervenção de frei MANUEL DE VINHAIS; acerca da compra de mantimentos pelos administradores da Companhia; dando conta que SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR estava na posse do governo da fortaleza, referindo que o engenheiro ANTÓNIO CARLOS ANDREIS chegou naquela praça sem patente, sem soldo definido e encontrava-se doente; sobre se ter determinado quais os oficiais que deveriam ficar em Bissau para evitar gastos, tendo sido escolhido o capitão de infantaria LUÍS DA SILVA CARDOSO entre outros e uma companhia composta por alguns homens; pedindo reparos das peças de artilharia e informando que os pretos de Cabo Verde eram propensos ao trabalho; solicitando a ida de uma companhia de gente paga para concluir a obra da fortaleza; e ainda sobre a chegada naquela praça de seis moradores brancos da praça de Geba que estavam em fuga.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 54.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 785.
OFÍCIO do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA do Conselho Ultramarino ao rei D. José I sobre a falta de dinheiro e mantimentos na expedição de Bissau, dado que acabaram os mantimentos vindos da ilha de Santiago, informando que mandou o iate São Joaquim e a corveta Nossa Senhora da Esperança para a ilha de Santiago avisar ao governador e capitão-general de Cabo Verde e ao administrador da Companhia do Grão-Pará e Maranhão da situação de carência vivida em Bissau e solicitando mantimentos e dinheiro para pagar os pretos de Cabo Verde, que reivindicavam. pagamento em dinheiro tal como receberam os marinheiros e soldados da nau de guerra; expondo o incidente que tiveram com os pretos por estes não quererem trabalhar sem receber pagamento em dinheiro não obstando terem uma boa dieta alimentar, advertindo que o episódio foi amenizado pela presença do padre frei Pedro de Valongo e com a promessa de que seriam pagos; queixando-se dos maus procedimentos dos trabalhadores pretos oriundos de Cabo Verde, que só trabalharam bem enquanto estava frei Luís Caetano de Castro Vasconcelos em respeito a guarnição da sua nau, e mencionando que uma reivindicação de um soldado da Companhia de Manuel de Brito por mais tempo de descanso despontou numa série de acontecimentos que levou a uma pequena rebelião; acusando a recepção do pagamento e os mantimentos que constavam da relação inclusa; dando conta que remeteria na galera São Pedro uma quantidade de homens incapazes para trabalhar e alguns doentes na galera Nossa Senhora da Esperança, e que pediu ao administrador de Cacheu que convocasse os moradores para trabalharem em Bissau; informando da chegada em Bissau de seis moradores de Geba em fuga por terem sido ameaçados de mortes em Geba, povoação de onde era proveniente a maioria dos cativos, cera, marfim e algum ouro, referindo que o capitão cabo daquela praça recebia uma porção de todos os navios que para lá iam carregados de sal ou de carne de cavalo-marinho; informando que ouvidor das ilhas de Cabo Verde, JOÃO GOMES FERREIRA, desrespeitou uma lei do tempo de D. Pedro II proibindo que degredados sentenciados exercessem ofícios, ao colocar APOLINÁRIO JOSÉ, degredado na ilha do Fogo, para servir no ofício de escrivão da correição quando foi a dita ilha averiguar a queixa que o signatário fez contra o vigário Inácio Mendes Rosado e alguns dos seus aliados; e dando conta que pediria mais homens ao governador e capitão-general de Cabo Verde.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 55.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 786.
1766/05/12
OFÍCIO de frei MANUEL DE VINHAIS SARMENTO ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, informando que frei LUÍS CAETANO DE CASTRO DE VASCONCELOS se ausentou de Bissau, mas continuaram erguendo os murros e a tabanca; informando o sargento-mor engenheiro responsável pela obra do hospício de Bissau encontrar-se prostrado numa cama por causa de uma pancada infligida por um marinheiro da fragata; relatando um episódio ocorrido com um soldado da Companhia de MANUEL DE BRITO, que se queixou do excesso de trabalho, e da tomada de posse de SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR na praça de Cacheu; sobre os oficiais de Cabo Verde que integravam a expedição de Bissau terem pedido melhores condições de trabalho e soldo devido, bem como as honras que lhes eram devidas; dando conta dos homens doentes e incapazes que seguiriam para Cabo Verde; e solicitando amparo régio para construírem um novo hospício naquela praça.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 56.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 787.
1766/05/13
OFÍCIO do capitão-mor da praça de Cacheu, SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre uma ordem régia determinando que acertasse com o capitão-de-mar-e-guerra LUÍS CAETANO DE CASTRO DE VASCONCELOS e com o sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA o que se devia praticar para a segurança da fortaleza, contudo informando que recebeu a dita ordem para o capitão-de-mar-e-guerra mas que este já se tinha retirado para a Corte, e o sargento-mor engenheiro encontrava-se muito doente; informando da delicada situação vivida em Bissau, em virtude dos soldados estarem desalojados desde Janeiro e de um princípio de levantamento protagonizado pelos pretos de Cabo Verde; dando conta da existência na ilha de Bissau de um preto capitão-mor por patente régia, que assistia perto daquela praça, e junto dele estavam alguns cristãos; expondo que para a segurança daquela praça iria escolher algumas pessoas de confiança e participaria na remuneração do seu trabalho, e opondo-se a nomeação de AUGUSTO DE SOUTO E MATOS para o posto de sargento-mor da praça de Bissau feita pelo governador das ilhas de Cabo Verde, BARTOLOMEU DE SOUSA E BRITO TRIGO, por ser de pouca idade e inexperiente, e propondo para o seu lugar BERNARDINO ANTÓNIO ÁLVARES DE ANDRADE, filho do ex-sargento-mor SEBASTIÃO ALVES DE ANDRADE; informando que o ajudante LUÍS DA SILVA CARDOSO foi para aquela praça nomeado capitão pelo mesmo governador e capitão-general de Cabo Verde, e que achava ANTÓNIO RODRIGUES MOCAMBO capaz de servir no posto de ajudante da praça; e expondo que a fortaleza de Bissau era um quadro de pequena fortificação, guarnecido pelo lado que faz frente ao mar com dois baluartes, e pelo lado da terra havia um único baluarte no meio da cortina, entre outros aspetos da fortaleza.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 57.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 789.
OFÍCIO de JOÃO DA COSTA E BONIFÁCIO JOSÉ LAMAS ao provedor e mais deputados da Companhia do Grão-Pará e Maranhão dando conta do cumprimento das ordens contidas na carta de 29 de Março de 1766 e de outras enviadas ao sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA; dando conta que enviaria pela galera São Pedro, de que era capitão MANUEL JOSÉ DOS SANTOS, alguns homens incapazes e doentes para a ilha de Santiago; informando que recebeu pela corveta Nossa Senhora da Esperança e pelo iate São Joaquim um carregamento de mantimentos; sobre os desaforos cometidos pela gente de Cabo Verde; dando conta que o capitão ENGENHEIRO ANTÓNIO CARLOS ANDREIS PAIS estava a exercer por impedimento de sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA e de um levantamento protagonizado por um preto chamado PEDRO VARELA; acerca da pretensão de se despachar o bergantim São Marçal com os escravos que havia naquela praça com destino a São Luís do Maranhão; pela escuna Nossa Senhora do Rosário se expediram ordens para um porto vizinho pedindo arroz, em virtude da falta de mantimentos em Bissau; solicitando mantimentos da Corte; acerca da construção de uns armazéns; sobre a conta dos gastos feitos pela fragata de guerra e pelo navio São Pedro; acerca de uma botica que ficou na fragata de Guerra e uns botins que serviriam de amostra; sobre um outro levantamento ocorrido em Geba envolvendo o capitão-mor ANTÓNIO FERNANDES LOPES GODINHO SANCHES e tendo tido a intervenção de um sargento-mor de Bissau nomeado pelo governador e capitão-general de Cabo Verde e sobrinho do capitão-mor de Cacheu, que prometeu retaliação aos gentios de Geba; e acerca da eleição de SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR para capitão-mor de Cacheu.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 60.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 792.
1766/05/19
OFÍCIO do tenente BERNARDINO ANTÓNIO ÁLVARES DE ANDRADE ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado queixando-se das atitudes do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA e da sua pretensão em tornar-se rei de Bissau, reiterando que passou a pagar os soldos e ordenados com a pataca castelhana e se negando a fornecer mantimentos ao hospital de Bissau, mencionando que JOÃO DA COSTA E ATAÍDE por diversas vezes socorreu o hospital com galinhas e vacas para ajudar os doentes e enfatizando o mau tratamento que o dito sargento-mor dava aos soldados.
AHU-Guiné, cx. 11, doc. 10.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 793.
1766/08/05
OFÍCIO do capitão-mor da praça de Bissau, SEBASTIÃO DA CUNHA DE SOUTO MAIOR, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre o estado da fortaleza, da necessitava de apetrechos de guerra, de guarnição, e de tudo mais que era conveniente para a sua conservação; informando que o seu estado estava agravando-se com a época das águas e estando em ruínas por não ter sido revestida com pedra e cal, contudo por várias vezes o sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA afirmou ser desnecessário fazer tal revestimento; acerca da rebeldia dos soldados de Cabo Verde; sobre a renovação do projeto da fortaleza feita pelo capitão António Carlos Andreis, que se achava à frente da inspeção, direção e execução da obra; dando conta que ainda não havia um corpo de guarda principal, por isso a companhia de infantaria ia quase que diariamente guarnecer aquela fortaleza fazendo patrulhas, rondas e sentinelas; e comunicando o falecimento do rei de Bissau e a sucessão naquela sociedade por via matrilinear.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 64.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 797.
1766/09/26
OFÍCIO do sargento-mor engenheiro MANUEL GERMANO DA MATA ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, expondo o seu empenho na construção da fortaleza de Bissau; sobre a sua chegada na ilha de Santiago para integrar a expedição que partiu para Bissau com o intuito de construir a fortaleza, da qual dava conta do andamento da obra, dos problemas que vinham experimentando, do pagamento dos homens e os avanços e recuos daquela empreitada; informando da situação que levou à prisão do tenente JOÃO DA COSTA DE ATAÍDE; referindo os primeiros contactos que os membros da expedição tiveram com o rei de Bissau numa tentativa do régulo permitir a construção da fortaleza e o estabelecimento de Portugal naquela praça; remetendo cartas que recebeu dos administradores da Companhia de Grão-Pará e Maranhão JOÃO DA COSTA e BONIFÁCIO JOSÉ LAMAS, de quem tinha queixas; comunicando que alguns marinheiros da expedição foram agredidos mata a dentro, quando foram procurar palha para as camas dos doentes; dando conta do levantamento dos pretos.
Anexo: ofício, aviso e folha de pagamento.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 67 e 62.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 800
1769/04/01
 OFÍCIO do sargento-mor engenheiro, MANUEL GERMANO DA MATA, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre os progressos da obra da fortaleza de Bissau; informando que o administrador da Companhia do Grão-Pará e Maranhão não forneceu os mantimentos e pagamentos dos soldados e dos problemas que teve com os administradores da Companhia JOÃO DA COSTA e BONIFÁCIO JOSÉ LAMAS; comunicando a chegada de um novo administrador da Companhia chamado ANTÓNIO FERNANDES SILVA; acerca da controvérsia suscitada pela forma com que os administradores da Companhia faziam o pagamento dos soldados e oficiais, pagando-os com fazendas pelo preço praticado na ilha de Santiago; dando conta que no decurso daquele ano daria por terminado a obra da fortaleza.
AHU-Guiné, cx. 9, doc. 76.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 812.
1773/11/22
REQUERIMENTO do sargento-mor de infantaria com exercício de engenheiro ANTÓNIO FÉLIX RIBEIRO DO AMARAL ao rei D. José I solicitando que o ex-capitão-mor da praça de Cacheu, BERNARDO DE AZEVEDO COUTINHO, passasse certidão na qual constasse que MARIA DA GRAÇA, moradora na povoação de Ziguinchor, mandou de presente um escravo ao governador interino da fortaleza de Bissau, SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR, para que este dispensasse da obra da dita fortaleza o seu sobrinho soldado GREGÓRIO CORREIA, natural de Cabo Verde.
AHU-Guiné, cx. 10, doc. 19.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 829.
1775/04/06
OFÍCIO do sargento-mor e comandante da praça de Bissau, INÁCIO XAVIER BAIÃO, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro, dando conta que chegou a Bissau, no dia 28 de Fevereiro, após 21 dias de viagem, tendo tomado posse do governo daquela praça, inteirando-se da quantidade de artilharia disponível e soltando alguns, e prendendo por ordem régia o ex-governador daquela praça, SEBASTIÃO DA CUNHA SOUTO MAIOR, tendo principiado o sequestro dos seus bens e passado uma carta precatória ao capitão-mor da praça de Cacheu para dar seguimento ao sequestro dos bens e escravos em Cacheu; comunicando que recebeu visitas do rei de Bissau; dando conta que completou as duas companhias de infantaria, formou com alguns soldados a terceira companhia de artilharia; remetendo mapa da artilharia, armamento e munições de guerra; informando que a tropa encontrava-se há muitos meses sem pagamento dos soldos, e solicitando que fosse declarado se o pagamento deveria ser feito em dinheiro ou em fazendas; remetendo uma carta que recebeu do governador e capitão-general de Cabo Verde, JOAQUIM SALEMA DE SALDANHA LOBO; informando que os padres do hospício de Bissau necessitavam de uma quantidade de cal de ostras e pedras para as obras do hospício, entre outros materiais que constavam de uma atestação; reiterando que a capela da praça tinha três imagens de Nossa Senhora, São Francisco e Santo António, e ornamentos dos padres missionários, mas era necessário imagens de São José e Nossa Senhora da Conceição, um cruxifixo, um cálice e mais ornamentos para rezar a missa; remetendo amostras de ouro e prata e um livro de contas do negócio de Geba.
Anexo: inventário (cópia), mapas, atestado e carta precatória.
AHU-Guiné, cx. 10, doc. 28 e 25.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 839.
1775/04/09
OFÍCIO do sargento-mor e comandante da praça de Bissau, INÁCIO XAVIER BAIÃO, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro, informando que os doentes do hospital de Bissau estavam sem assistência porque os soldados destacados para assistir no hospital faltavam com as suas obrigações, e desta forma tinha escolhido quatro soldados para se ocuparem do hospital, pagando-os meio soldo e alimentação.
AHU-Guiné, cx. 10, doc. 29.
AHU_CU_049, Cx. 9, D. 841.
1776/03/22
OFÍCIO do tenente Bernardino ANTÓNIO ÁLVARES DE ANDRADE ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro, dando conta dos problemas existentes na praça de São José de Bissau, como era o caso dos pagamentos dos soldados, seu diminuto número e a falta de reparos para a artilharia, mas sugerindo que se cultivasse a terra em Bissau, de forma a torná-la produtiva e que para a praça fosse enviado um oficial engenheiro.
AHU-Guiné, cx. 11, doc. 10-A.
AHU_CU_049, Cx. 10, D. 882.
1776/07/05
OFÍCIO do sargento-mor e comandante da praça de Bissau, INÁCIO XAVIER BAIÃO, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro, informando que deu execução a uma ordem régia para em Bissau se formasse uma companhia com homens disciplinados e hábeis para servir em Cacheu; acerca de uma outra ordem régia sobre uma pedra que se achava em modo de cachoeira no rio Geba e que poderia ser demolida para dar passagem pelo rio acima; dando conta da ruína da igreja, do quartel e do calabouço, reiterando que já tinha feito reparos, com a excepção da igreja, por falta de madeira, telha, cal e tijolo; informando que se aproveitou de um chão do hospício dos franciscanos para levantar um novo hospital com os apetrechos necessários para os doentes e alguns quartéis para os oficiais; remetendo carta patente comprovando que a jurisdição da Serra Leoa pertencia ao comando daquela praça de Bissau, e desta forma pedindo intervenção para regular a situação, visto estar um homem preto mandado naquelas partessobre desordem vivida na povoação de Geba, e dos atritos que teve com o comandante e sargento-mor da praça de Cacheu, ANTÓNIO VAZ DE ARAÚJO, acerca da jurisdição daquela povoação; referindo as incursões dos ingleses e franceses na costa da Guiné; e sobre representação dos soldados e oficiais solicitando poderem receber os pagamentos em dinheiro.
Anexo: informação.
AHU-Guiné, cx. 11, doc. 16.
AHU_CU_049, Cx. 10, D. 895.
1776/12/02
ATESTADO passado pelo ajudante da guarnição da praça de Bissau, PEDRO ANTÓNIO BRAUM, atestando que os administradores da Companhia do Grão-Pará e Maranhão não queriam abonar os soldados, em virtude de não terem satisfeito dois bilhetes de abono ao sargento MANUEL JOAQUIM a mando do capitão da primeira companhia de infantaria.
Anexo: escrito.
AHU-Guiné, cx. 11, doc. 25.
AHU_CU_049, Cx. 10, D. 899.
1794/06/13
É possível, mesmo muito provável, que este capitão-mor comungasse nos anseios de separações relativamente ao governo conjunto de Cabo Verde e Guinéque animavam os demais, visto que e esse sentimento, dando-o como generalizado, se referia o Governador TEIXEIRA CARNEIRO num oficio dirigido ao governo a 13 de Junho de 1794, solicitando que o isentassem da autoridade que tinha sobre os capitães-mores da Guiné, visto eles não obedecerem a seus mandados, pedido que, todavia, não foi deferido. Essa aspiração, se realmente viveu no espírito de JOSÉ ANTÓNIO PINTO, foi nele parceira dum certo autoritarismo, traduzido nas violências de que se queixavam os soldados. Aquele foi o motivo apresentado ao insubordinarem-se os soldados e por forma tal que ele resolveu pôr-se a salvo e foi para GebaEm Junho de 1803 obteve a nomeação de comandante de Cacheu, com o seu filho NARCIZO EDUARDO PINTO, que servia como tenente de artilharia.
1799
«Para a Praça de Bissau seguiu em 1799 o novo commandante José das Neves Leão, que commonicou a sua chegada alli e não ter encontrado quem lhe entregasse o commando, porque o seu antecessor, José Antonio Pinto, já em Lisboa, havia abandonado o logar, fugindo para o gentio de Fá por os soldados, na Praça, se terem levantado contra elle pelas delápidações e opressões que exercera em todo o tempo do seu commando.» -
 Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte III, pgs. 154-155, Lisboa, 1906
1803

 1805/02/00
MANUEL PINTO DE GOUVEIA e capitão-mor de Bissau, até 1811
O governo da metrópole nomeou capitão-mor de Bissau um oficial que já servira na capitania de Cacheu, Manuel Pinto de Gouveia, e então se achava em Portugal.
novo capitão-mor partiu de Lisboa em Fevereiro de 1805, e com a sua administração a vida económica de Bissau melhorou consideravelmente nos anos imediatamente subsequentes, crescendo também os rendimentos públicos; porém, já desde 1807, a subvenção que cabia às capitanias da Guiné para fazerem face ao deficit da administração, e era enviada de Cabo Verde, começou a ser constituída por panos de fabrico cabo-verdiano, e não por dinheiro, pegando-se então com eles, nas capitanias guineenses, prejudicando os interessados, os vencimentos de funcionários e também os soldos da tropa, facto este que gerou no seio dela uma atmosfera de exaltação, propícia a novas turbulências, tanto mais fáceis de eclodir, em Bissau, quanto grande parte da guarnição era ali constituída por presos tirados do Limoeiro, que o capitão-mor trouxera de Lisboa. Essas turbulências surgiram em Abril….
«EFevereiro de 1805 fôra chamado Manoel Pinto de Gouveia pelo conde de Anadia para ir governar a Praça de Bissau, que se achava abandonada por terem envenenado o governador d'ella, Antonio Cardoso de Faria.
tropa que guarnecia Bissau era composta de pretos, naturaes do paiz, que conviviam com os gentios, que se negavam a fazer serviço.
novo governador pediu o posto de brigadeiro, e tendo ido ao paço solicital-o ao principe regente este dissera-lhe: «Já estou bem informado do teu requerimento. O premio não se procura antes da commissão feita. Sabe desempenhar ao que vaes, e Jogo que as coisas estejam em paz pela secretaria te será remetido o que pretendes pois vejo que é de justiça.•
Seguiu Pinto de Gouveia para Bissau, com 150 degredados tirados do Limoeiro, facínoras e dos maiores crimes, tendo alguns d'estes a alva vestida, que lhes foi despida. Em Cabo Verde recebeu mais 80 homens de péssimos costumes, e com 230 soldados indisciplinados em Bissau formaria um batalhão de 460 desordeiros.
Com muito trabalho montou o serviço militar, que estava relaxado, e restabeleceo a paz com os gentios.
o havia escripturação da fazenda e apenas encontrara nos cadernos de papel mal escripturados.» -
Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte III, pg. 173, Lisboa, 1906.
1811/04/14
A guarnição de Bissau, formada por criminosos retirados do Limoeiro e vadios embarcados em Cabo Verde, amotinam-se por falta de pagamento.
Essas turbulências surgiram em Abril de 1811, traduzidas numa insubordinação que o capitão-mor conseguiu todavia aplacar prometendo imediatos pagamentos em dinheiro. Mas como, se o cofre da capitania estava quase exausto e ele próprio nllo recebia vencimentos havia quatro anos? Contudo, preso à sua palavra, vendeu os escravos que tinha e cumpriu-a. Não decerto tão completamente que evitasse nova insubordinaçllo em meados de Julho, também desta vez aplacada pelo modo por que o tinha sido a anterior. A situação agrava-se, porém, pouoo a pouco, alimentada por intrigas; e assim, foram apresentadas queixas ao Governador Geral, e este ordenou a prisão do capitão-mor, tendo talvez ooncorrido para este acto de rigor ser conheoida daquele a tentativa de emancipação empreendida por Pinto Gouveia, propondo à Corte que se constituiesse, com as praças da Guiné, um governo separado do de Cabo Verde, e apreeentando-se ele próprio como candidato ao cargo.
« Deu-se o primeiro conficto no dia 14 de abril de 1811.
O capitão da Praça havia avisado o governador Gouveia do levantamento que os soldados queriam fazer, e n'aquelle dia, depois da missa, formou a tropa e aconselhou-a a que soffresse com resignação por ser bem precario o estado do paiz. Conservou-se formada a tropa, e à resideocia do governador dirigiram-se então os officiaes e os empregados da fazenda, que assignaram um termo em como se resignariam.
O capitão Antonio Cardoso de Figueiredo, commandante da tropa, mandou destroçar os soldados, mas a sua voz não foi obedecida, antes envolvendo o capitão n'um circulo lhe disseram que intimasse o governador para lhes fazer o pagamento, pois que estavam com fome, rotos e descalços, e este estado não podia continuar.
O governador, inteirado d'este facto, mandou dizer que no dia seguinte pagaria do seu bolso, visto o cofre estar vazio e haver ainda um saldo contra de 3:137$000 réis. Não obstante essa resposta, foi este prevenido que os soldados queriam n'aquella noite arrombar os armazens dos particulares para tirarem alimentos, por isso que alguns soldados não comiam havia dois dias.
O governador viu-se obrigado a vender os escravos que tinha para lhes fazer o pagamento e a pedir providencias ao de Cabo Verde, respondendo-lhe este: que o povo estava atacado de uma epidemia e de tal fome que não podia acudir a Bissau, pois que não havendo rendimento para o sustento dos habitantes lhe era impossivel fazer o pagamento do segundo quartel do anno.
Havia quatro annos que o governador de Bissau não recebia os seus vencimentos; porém como elle vivia dil-o uma representação firmada pelos officiaes da tropa e pelos negociantes Thomaz da Costa Ribeiro e Joaquim Antonio de Mattos, aceusando-o de intriguista e turbulento; que negociava, probibindo que os outros o fizessem; que vivia amancebado com uma Clara Gomes. a qual sahia altas horas da noite da fortaleza, acompanhada pelo sargento de ordens; que elle absorvia os rendimentos reaes, roubando a polvora da fazenda para seo negocio e o dinheiro que lhe era remettido de Cabo Verde para pagamento da tropa. e que falsificava os livros.
Em 6 de julho queixou-se o governador da Praça de que o capitlo-mór de Farim e o bacharel José Thomaz de Sá tomaram ao capitão do navio Expedição a sua correspondencia official, na qual elle relatava as desordens da Praça de Bissau e apontava os cabeças de motim, que eram os acima referidos e mais o escrivão de fazenda, Justiniano Antonio de Moraes, o capitão da 3.ª oompanhia. A. Cardoso Figueiredo, o alferes da mesma, Antonio José Teixeira, e Joaquim Antonio de Mattos.
Que se achava havia quatro annos sem receber soldo, vendo-se nas circumstancias de recorrer ao governador da Goré a pedir-lhe socorros, mediante lettras sobre o real erario, se não lhe facilitassem os saques.
Em 12 de julho deu-se nova Insubordinação dos soldados. Ao toque da assembléa, às horas da parada da guarda, não quizeram os soldados entrar na formatura, e passando o governador ao quartel foi alli insultado, exigindo-lhe os soldados o pagamento no meio de ameaças, e pegando em armas, que não quizeram entregar. Retirou-se o governador e pela tarde d'aquelle dia foi avisado de que os soldados tinham resolvido assassinal-o a golpes de baioneta, bem como à familia, em vista do que o governador mandou logo dizer que no dia seguinte (13) faria o pagamento com o seu dinheiro.
Os soldados resolveram então ir para as guardas, enquanto o governador com o thesoureiro davam o balanço ao cofre, onde havia pouco mais de 700$000 réis, faltando-lhe ainda 1:900$000 e tantos réis. O governador levou da sua casa essa importancia para o quartel, recebendo em fazendas do armazem para fazer o pagamento. Os soldados, sabendo que iam ser pagos em fazenda, preveniram o governador com novas ameaças de que não recebiam, vendo-se este obrigado a pagar-lhes em dinheiro no dia immediato.
N'este dia chamou o bacharel Thomaz de Sá um soldado e disse-lhe: Tesos com o governador, não aceitem senão dinheiro de lei; tres ataques destes morre, leva-o o diabo. Não ha de faltar quem vos governe, e que pague tudo e que não os faça estar tão sujeitos.
Por outro lado no dia 10, achando-se o governador em frente dos soldados, dirigiu-se-lhes o capitão Antonio Cardoso e disse-lhes: O senhor governador disse que sou eu a causa desta desordem, quando eu estava doente; e metendo-se no meio dos soldados dizia-lhes em voz baixa: ele não quer dar soldo, não se pode suportar.
O governador pediu então para Lisboa 100 homens de tropa para prender e remeter os cabeças de motim, a fim de serem mortos no reino e mandadas as suas cabeças para Bissau, como se fez em Cabo Verde, e que para alli fosse enviada uma fragata de guerra para esse fim.
Solicitou para que Bissau, com Cacheu e suas dependencias de Farim, Zeguichor, Geba e outros pontos da Guiné, constituisse uma capitania geral, em attenção ao estado da Europa e à distancia que estava de Cabo Verde; pedia para ser promovido n'aquelle lugar com 1:000$000 réis, que já tinha, no caso que o achassem digno, evitando-se assim contendas com o governador de cabo Verde, sem proveito para os interesses reaes, e só o de fomentar a intriga e a desordem.
Desconfiando os cabeças de motim que o governador ia pedir a prisão d'elles, foi um soldado entregar-lhe um papel no qual se lia:
1.º Nunca jámais intimará ordem alguma a Thomaz da Costa Ribeiro, e não se falará mais em elle sahir d'aqui. (Este Costa Ribeiro era o capitão-mór de Farim.)
2.º Não se dará parte do que tem acontecido, e nem se falará mais Thomaz da Costa Ribeiro, em o Dr. José Thomaz de Sá, em o Capitão Antonio Cardoso de Figueiredo e do escrivão de fazenda Justiniano Antonio de Moraes; nem se dará parte alguma do soldado que V.cê desconftar ser cabeça do pagamento.
Estes capítulos deve V.cê lel-os e rasgar já; deve n'elles guardar um segredo eterno, sob pena de morrer ás nossas mãos e toda a sua familia. Quem nos dá este conselho, queremos mais bem que a V.cê jámais poderá justificar isto, pois todos juararemos ser mentira, e sempre ouvimos dizer que quem confessa pela bocca morre pelo pescoço; tome para si o melhor partido.
O governador, em vista de tantas ameaças e sem navios para pedir providencias, atravessou o sertão, indo á Goré pedir soccorro de gente e de dinheiro pois a fazenda já lhe devia 5:000$000 réis.
Depois do governador expedir a sua correspondencia para Lisboa regressou a Bissau, mas durante aquelle tempo os promotores das desordens ftzeram-lhe as mais graves accusações ao de Cabo Verde; este mandou que o capilão Cardoso e o escrivão de fazenda se constituissem juizes d'aquelles factos, auctorisando-os a syndicarem e a prendel-o se o julgassem culpado.
No dia 12 de setembro, sem ter precedido inquerito, foram a casa do governador Gouveia e deram-lhe a voz de preso à ordem de Sua Alteza Real; só depois d'isto é que formaram a tropa e lhe leram a ordem do governador de Cabo Verde.
Foi o governador Gouveia encerrado n'um quarto velho, com sua mulher e filhos, ficando incommunicaveis; ahi se mandou pôr uma grade de ferro, sem portas, e permitliu-se apenas que um preto lhe levasse o comer; o preto tambem era revistado por ser prohibido ao preso escrever.
No calabouço injuriavam-no constantemente.
O secretario do governo, Luiz Antonio Esteves Freire, receoso de ser preso, fugiu e embrenhou-se no sertão; depois de percorrer umas 60 leguas chegou a Cacheu e d'ahi passon ao reino; narrou este caso e representou contra o despotismo do governador de Cabo Verde e dos desordeiros de Bissau.
Emquanto do reino não davam providencias, conseguiu pedil-as da prisão o governador Gouveia, enviando uma carta ao governador e capitão general da Serra Leoa, Charles Maxwel, em data de 17 de outubro, para solicital-as do governador de Cabo Verde:
“Il.mo e Ex.mo Sr. Governador e Capitão General da Serra Lioua. Senhor, as circonstancias em q me vejo me fazem procurar a protecção não só de·V.• Ex.• como da Grande e sempre Grande Nação Bretanica. Eu Senhor sou o Governador de Bissau, Sargento Mor de lnfantaria, Cavalleiro profeço na primeira ordem de Portugal que hé de Nosso Senhor Jesus Christo. Contra todas as Ordens e Leis do Reino esteu metido em prizão de Ferro e até agora não sei o pelo que. Coando vim para este governo truçe 150 Homens Brancos tirados de todos os Carseres do Reino costumados a toda a casta de crimes, querendo aqui f'azerem o mesmo foi-me de grande trabalho o podel-os suster e a força de castigos os puz em Ordem as finanças q nem delas havia endisios hoje se acha tudo aranjado e em fim Senhor  6 q aqui ha tem tido abelidade de por tudo em huma grande dezordem, e flzerão com a Tropa com q no dia 11 de Julho fizesem hum grande levante e depuserão·todas as Armas e não quizerão fazer o Serviço Isto por lhe faltar o pagamento 11 dias, e pegarão todos em Armas e não as quizerão entregar; no dia 10 a sahida da Miça fui descomposto e repreendido aspramente pelo primeiro Cabeça deste levante que hé o Capitão da 3.ª Companhia Antonio Cardozo de Figueiredo que hé o que hoje estâ Governando. Fizerom os 4 Cabeças de mutim e da traição huma queixa ao meu EU ... Senhor General em Cabo Verde que deu por ella sem atender aos meus Offiçios e as minhas reprezentaçaois, e com efeito forão atendidos. Porem Senhor as suas Ordens são muito retas dizendo ellas que se tiraçe huma Devaça oculta contra mim e se eu foçe culpado que foçe prezo, e se fose o Escrivão da Fazenda Real qne então foçe elle prezo o que não fizerão porque a Devaça tirouçe depois de eu estar preso e Escrivão foi o mesmo da dita Fazenda Real logo como havia de sahir culpado, o que está tudo nulo e sem ifeito algum de Justiça, e eu prezo El.mo Senhor depois de se acabar de tirar a devaça juntarão algumas testemunhas e a maior parte da Tropa e fizerão hum abaixo asignado que se reduz o seguinte: Nos abaixo asignado atestamos e sendo necessário juramos aos S.tos Evangelhos em Juizo e fora delle que a Devaça que se tirou contra o Snr. Governador, nenhuma Testemunha soube o q jurou pois quando o Escrivão procurou as d.'° Vm ... sabe alguma couza do Governador Manoel Pinto, que a Testemunha dezia não Snr ., acodia o dito Escrivão sim Senhor bem sei asigne aqui e se obrigava violentamente asignar a ser castigado e q no requerimento q toda a Tropa dizem fizerão contra ao d ... Snr. G. or ninguem a soube senão coando o Ajudante Antonio Joze o andou aslgnar pellos Cuarteis com grandes amiaços a quem o não quizesse asignar.
“Fol este papel denonsiado ao d ... comandante Cardoso, tem dado grandes rodas de pau nos asignantes, tem 2 Alferes prezos, Joze dos Santos Campelo com 3 pares de Ferro, Manoel Luiz Monteiro sem elles, e tem a meu Filho Cappitão da 2. ª Companhia Confirmado por Soa Alteza Real tambem prezo, este se chama Marçelino Pinto da Fonçeca. Esta bê Senhor a sorte a que se ve reduzido hum Homem que acaba de governar esta Praça. Suplico a V. EIIl.ª pela sua bonrra, pela bonrra da grande Nação da Granbertanba, haja de mandar as Ilhas de Cabo Verde pedir ao meu General me solte e me entregue esta Praça que eu Jurei nas Reais Mãos de S. A. R. Pleito e o Menaje por ella.
“Pello Manual mandei tão bem buma Carta, peso a V. Elll.ª o mande tambem entregar ao d.'° meu General, pois athé estou empedido de Escrever e tenho 3 Sentinelas a vista. Só V. Exll.ª hé o que agora me pode valer, e eu espero tanto de V. Exll.ª como da Vossa Nação.
“Se o meu General não quizer atender, o que não hé de esperar, na vossa bonrra e nasimento eu tenho toda a esperança. Aseitai Sr. ·a m. ª estima pois sou De V. Exll. Senhor. Com mais profundo Respeito Manuel Pinto de G.ª Bissau de 17 de outubro de 1811. IlL- Exll. Senhor Charles Mxuel.”
Por aqui se vê quão graves foram as desordens em Bissau e citadu por muitos, sendo o principal auctor o capitão Cardoso de Figueiredo, que se arvorou em governador. Não pouco concorreu para esse estado de coisas o governador de Cabo Verde, que mandara fazer uma syndicancia por aquelles que eram os algozes do governador da Praça. Não era, verdade seja, muito prospero o estado financeiro de Cabo Verde que lhe permittisse mandar pagar aos soldados da Guiné em metal sonante os seus vencimentos, que eram pannos tecidos nas ilhas, mas o que era intoleravel é que os pannos fossem para os armazena da Guiné oom o augmento de mais 50º/o do seu valor.» -
Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte III, pgs. 191-195, Lisboa, 1906
1811/09/12
O capitão-mor da Praça de Bissau, MANUEL PINTO GOUVEIA, foi preso com a sua família por ordem do capitão FIGUEIREDO CARDOSO, encarregado pelo Governador de Cabo Verde para fazer a sindicância aos seus actos a quando da insubordinação das praças de que se compunha a guarnição de Bissau.
1811/10/17
Achando-se preso pelos soldados da guarnição e criminosos retirados do cárcere do reino, Governador de Bissau, sargento-mór GOUVEIA, conseguiu este enviar uma carta ao capitão geral da Serra Leoa, CHARLES MAXWELL, pedindo-lhe solicitasse ao Governador de Cabo Verde providências a fim de ser posto em liberdade e condenados os chefes da insubordinação.
1825/05/01
«Em 1 de maio de 1825 houve uma sublevação militar na Praça de Bissau,  promovida por alguns officiaes e pelo capellão da tropa
Governava a Praça o capitão Domingos Alves de Abreu Picaluga, que não empregou meios energicos para conter os soldados.» -
Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte III, pgs. 349-350, Lisboa, 1906
«Quási na mesma época, dava-suma novrevolta militar na Praça do Bissau, em que, além dos soldados, se envolveram também alguns oficiais e o capelão militar. A causa ou o pretexto da sublevação eram, como sempre, o atraso no pagamento dos soldos e a má qualidade do rancho.
No dia de Maio os soldados revoltosos assaltaram os depósitos de géneros e armamento. Exigiram a chave da Praça ao capitão-morDomingos de Abreu Picalugaque se apressou a entregá-la. Praticaram diversas tropelias durante os dias seguintes.
Em 7 de Maio comandante da Praça assinou uma convenção com os seus próprios soldados, jurando todos esquecerem o passado, sendo êsse juramento recebido pelo capelão.
Entretanto comandantde Geba enviou um destacamento de 50 soldados em socorro de Bissau. Ao mesmo tempo fundeou no pôrto uma fragata inglesa. À vista do navio britânico, os revoltosos debandaram-se, tendo-se procedido à prisão de 38 soldados e 5 oficiais, que foram enviados para Santiago.
Os acusados foram julgados em Conselho dGuerratendo-se demonstrado no processo que o capitão Picaluga era em parte responsável pela insubordinação por causa da má qualidade do rancho do seu custo exagerado. Foi, por isso, suspenso e substituído temporàriamente por Joaquim António de Matos.»
João Barreto, HISTÓRIA DA GUINÉ 1418-1918, edição do autorLisboa, 1938, pg. 187
1826/05/00
«Também na Praça de Cacheu se registou em Maio de 1826 uma revolta militar contra o comandante Veiga Santos. Em consequência do inquérito a quse procedeuforam presos 15 soldados.
Paulo Xavier do Crato, sargento-mor da Praça, acusado de instigador e conivente na insubordinação, faleceu antes de ser julgado
João Barreto, HISTÓRIA DA GUINÉ 1418-1918, edição do autorLisboa, 1938, pg. 187





1842
Revolta dos habitantes da Praça de Bissau (grumetes) contra os ocupantes portugueses (Novembro de 1842 a Janeiro de 1843).
1842/11/00
«O capitão-tenente António José Torres tomou posse do governo da Guiné em Novembro de 1842 e passados poucos dias teve um grave conflito com os grumetes da povoação.
Segundo o seu relatório, datado de Junho do ano seguinte, os factos teriam-se passado da seguinte forma: era costume em Bissau, terminado o período das chuvas, retirarem-se as coberturas de palha dos prédios situados nas proximidades da fortaleza, a-fim-de se evitar a propagação de incêndios.
O juiz do povo, encarregado de fazer cumprir esta determinação, mandou pedir, em 30 de Novembro, auxílio ao governador da Praça a fim de prender o grumete Paulo Alves, que se negava a descobrir a sua casa. O comandante enviou uma escolta, que teve de sustentar luta contra os grumetes armados decididos a impedir prisão do arguido. Apesar disso a escolta recolheu com o Paulo Alves e mais dois prisioneiros.
Nos dias subsequentes os grumetes, protegidos pelas casas, atacaram a fortaleza, que ripostou obrigando-os a fugir. No dia 4, o negociante João de Barrosentrou na Praça, pedindo que cessasse o fogo pois os revoltosos haviam prendido o seu caixeiro e ameaçado fuzilá-lo e roubar o seu estabelecimentoO governador Torres, convencido de que este comerciante era conivente com os grumetes, aos quais vendia pólvora e armas, encarregou-o de avisar os sediciosos de que castigaria severamente os 3 grumetes prisioneiroscaso eles incomodassem os habitantes de Bissau.
No dia seguinte os revoltosos enviaram dois homens grandes a pedir paz, que foi concertada com quatro condições principais:
a) obediência e respeito pela bandeira e autoridade portuguesa;
b) cumprimento de todas as ordens do governo da Praça;
e) nomeação do juiz de paz escolhido pelo governador;
d) entrega do chefe Paulo Alves, que se tinha evadido.
Poucos meses depois de resolvida a questão dos grumetes, o governador de Bissau teve de combater um movimento de protesto dos soldados contra o pagamento dos seus prés em fazendas mercadorias pelo sistema que se tornara um mal crónico da colónia.
Era no período em que cobrança das receitas estava entregue ao arrendatário Caetano Nozolini. Nos termos do contrato, o arrendatário tinha de entregar em Bissau e Cacheu doze contos de réis, ficando por contra-partida com as receitas de Guiné e mais o subsídio de oito contos, enviado pelo cofre de Cabo Verde. Não havia neste contrato grandes vantagens para o Estado, visto que as receitas públicas não eram inferiores a quatro contos. A intervenção de um particular só poderia ocasionar complicações inúteis, sendo natural que o arrendatário procurasse tirar o máximo lucro do negócio.
Com efeito, o contratador Nozolini continuava a pagar aos soldados com mercadorias das suas lojas, fixando-lhes preços elevados retirando por êste processo lucros em duplicado. Utilizava-se também nos pagamentos de umas cédulas, que os governadores de Cabo Verde punham em circulação nos momentos de apuros financeiros. Caetano Nazolini adquiria êste papel fiduciário, já bastante depreciado, com grandes descontos servia-se dele para satisfazer as suas prestações ao tesouro da Guiné.
Em 3 de Julho de 1843as praças da guarnição de Bissau manifestaram-se subversivamente contra êste sistema e exigiram o pagamento dos soldos em moedas metálicas. governador Torres viu-se na necessidade de adquirir dinheiro por empréstimo ao comerciante· Nicolau Monteiro Macedo, a-fim-de satisfazer os revoltosos.
Durante govêrno de António J. Torres, o comandante do presídio de GebaManuel José Semedo, fez um acôrdo com o régulo de Badora, Marnadú Sanhápela qual foi cedido à coroa o território de Ganjarra, em 24 de Agosto de I843. Em troca estipulava-se que o presídio daria, querendoalguma daxem géneros e auxílio em munições no caso de o régulo ser atacado por algum dos seuinimigos.
O capitão-tenentTorres embarcou para a metrópole em 13 de Setembro, com 6 meses de licença e para o substituifoenviado o tenente do exército metropolitano José Maria Coelho. Ia acompanhado do tenente Francisco Alberto de Azevedo e levava a missão de inquerir e providenciar sôbre a indisciplina da Praça de Bissau.
Em face do relariapresentado pelo tenente Coelho, o governador de Cabo-Verdeouvido o Conselho do Govêrnoresolveu mandar para Bissau 60 praçaoficiainecessários para render a guarnição; destacar para ali o brigu.dguerra Vouga; fazer o pagamento dapraças em moedas metálicas e mandar substituir o director da Alfândega qutambém servia de escrivão na Comissão de Fazenda.
Como na mesma época tivessem vindo da metrópole ordens para proceder a um Conselho de Investigação, foi nomeada uma comissão composta de Francisco Assida Silva, comandante do Vouga, do tenente Rosado de Faria, chefe do estado maior, de Evaristo de Almeida, escrivão da Junta de Fazenda de Cabo-Verde. Esta comissão chegou a Bissau em 4 dJaneiro de 1844.
Desembarcou novo contingente e passou para bordo do brigue antiga guarnição. Provada a culpabilidade dos promotores da sublevação registada no mês de Julho, foram castigados os soldados Lázaro Vaz e Manuel das Neves com 400 varadas aplicadas na presença de tôda a guarnição.
Verificou a comissão que por estar em ruínas quartelos soldados haviam construído mais de 40 palhotas dentro da fortaleza, vivendo ali com as suas mulheres até mesmo exercendo o comércio de aguardentes doutros géneros. A comissão tomou providências para reparação do quartel, mandou destruir as palhotas e expulsar as mulheres ().
Notou .também que a fortaleza de S. José tinha perdido o rebôco ·que o fôsso estava quási entupido, tornando-se assim faceis o ataque e a entrada do inimigo dentro do forte. Não havia cirurgião nem assistência aos doentes. Fora da fortaleza as palhotas dos grumetes avançavam até a muralha, servindo de abrigo os revoltosos e impedindo o emprêgo· da artilhariacomissão tentou deslocar estas palhotas para longe, mas teve de desistir dos seus intentos por encontrar resistência da parte dos grumetes.
Por seu lado escrivão da Junta de Fazenda que fazia parte da comissão achou a escrituração dos livros em tal estado de confusão, que o único recurso foi trancar a escrita anterior começar outraDeixou ali ficar um regulamento da alfândega, tabelas dos direitos, custas e emolumentos.
(a )É de supor que estas determinações estivessem em vigor por muito pouco tempo. Ainda hoje, nos nossos dias, no recinto da fortaleza de Bissau continuam a viver os soldados com as suas famílias dentro de palhotas. Tal prática tem sido mantida atendendo aos hábitos e mentalidade dos indígenase a sua eliminação não se considera indispensávepara a boa disciplina militar, desde que não faltem a devida fiscalização e vigilância contra os abusos.» 
João Barreto, HISTÓRIA DA GUINÉ 1418-1918, edição do autorLisboa, 1938, pg 211-214
1843/07/03
«Havendo-se insubordinado tropa em Bissau nos primeiros dias de julho, recusando-se a receber pré segundo se achava determinado no contrato feito pela Junta da Fazenda publica desta Província e approvado pelo governde Sua Majestade, obrigando o governador de Bissau que opagamentose fizessem em metal, para qucessassem oprotestos ou outras insubordinações que podiam dar azo anarquia militar, determinou governador geral, em Portaria de 2 de novembro de 1843, que os pagamentos dos empregados civis de todas as classes e denominações, como os soldos aos  officiaes prets á tropa seriam realisadoem Bissau e Cacbeu, e dependências de ambos os governos, edinheiro metapelo valor que se acha determinado na Portaria eConselhde 25 d'outubro de 1842.
Para slevar a effeito estartigo a Junta alterou o contracto coCaetanNozolini, quacabamos de citar, celebrando-sdefinitivamente outro, nos seguintetermos:
1º  O cidadão Caetano José Nozolini se obrigfornecer á Commissão de Fazenda, eGuiné, todo o numeraria preciso para pagamento dtropas empregados daquellas possessõesEste numeraria será corrente no Archipelagpelos mesmovalores, isto é, patacahespanbolas, brasileiramexicanas a 960 réis e onças hespanbolas a 155$60  ou 16 patacas; afracções destdinheiro logo que tenham o peso legal terão os valores correspondentes aos marcados.
2.º Obriga-se fornecer igualmente os generos precisos para pagamento das outras despesas que não sejam consideradapretsoldos, ordenados ou congruas, pelos preços seguintes polvora tabaco a 200 réis arratel; aguardent670 réis o gallão; machetes a 500 réis; zuartes fazendas brancas de algodão a 250 réis jarda; banda500 réis; ferro em barra 1.000 réis cada barra.
3.º Obriga-se acreditar os rendimentos daalfandegas maiimpostos daquellapossessões na quantide 4:000$000 réis em dinheiro metalico, obrigando-se alem d'isso a pagar as commissões devidas aos empregados das mesmaalfandegas.
4.º Elle contratador, ou pessoa por ellautorizada, receberá na Thesouraria Geral da Província, prestação de 1:500$000 réis, no fim de cada trimestre, por corita da maior quantia qutiver fornecido. O pagamento da prestação relativa qualquer trimestre terá lugar durante o prazo de 9dias depoide findo trimestre a que fór relativa a qualquer trimestre, podendo elle contratador desobrigar-sdeste contrato quando etodo aquelle período se não levaeffeito o mencionado pagamento.
5.º No primeiro dia do mêde julhde cada anuo ajustar-se-hão, na Contadoria da Junta de Fazendaas contas com ellcontratador as quaes terão loga r. á vista dos documentos legaes a despesa: depois de somadas averbas que foram pagas edinheiro, abater-se-lhe-hão 4:000$000 réis dos rendimentos das alfandegas mais impostos, e da differençque houver reunida importancia das fasendas fornecidas, aquaes neste acto terão um abatimentde 20% nos preços marcados no artigo 2o, deduzir-se-ha a quantia de 6:000,$000 réis, total das prestações ecada anno, a Fazenda pagará · elle contratador o saldo quhouver a sefavor, ou será ·encontrada nas prestações futuras o saldo shouver favor da Fazenda.
6.º A marcha da escrituração d"Alfandega e fiscalização continuará sem interrupção da maneira que se obraria se os seus rendimentos não se achassem arrematados, devendo dar entrada nella todos oobjectos que forem importadoou exportados naquellapossessões.
7.º Que este contrato será contado como tendo o seu começo no primeiro de julho do corrente anno de 1843 e findará em 30 de junho do anno de 1846, se antes d'isso Sua Majestade não mandar o contrario.
8.º Para exacto cumprimento deste contrato elle contractador renunciaás obrigações que contrahira pelo contrato celebrado em 2 de julho ultimo, e bem assim todos ocasofortuitos, solitos o insolitos, cogitados não cogitados, salvo os da invasão, para o que obriga a sua pessoa e bens havidos e por haver, e na falta destes deu por seu fiador Joaquim Martins Franco. (aFrancisco de Paula Bastosgovernador-geral; João José Antonio Frederico, juiz de direito substituto; José Gabriel Cordeiro, delegado interino d"o Procurador da. Corôa e Fasenda: Caetano José Nozolini, Joaquim .Martins Franco.…
Em Bissau houve uma rebellião de soldados da 5 de julho de 1843.
governador d'esta Praça relatou-a em 6 d'aquele mez ao governador geral, dizendo-lhe que os soldados haviam pedido ao seu comandante para que o pagamento lhes fosse feito em generos e não em baralhos (cédulas) porque o fornecedor os explorava com o elevado preço das fazendas. Concordou n'isso o governador da Praça e na manhã do dia 3 nomeou o commandante da força uns soldados, para escolherem conduzirem polvora e tabaco qué desejavam para pagamento. Regeitaram receber estes artigos e sollicitaram dinheiro em metal sonante e como no cofre não o houvesse se mostrassem os soldados cada vez mais exaltados, com grandes difficuldades, conseguiu o governador que o negociante Nicolau Monteiro de Macedo abonassa importancia precisa ; só no dia 5, depois de muito ameaçados os officiaegovernador da Praça, receberam os revoltosos o pagamento; seguiu-se, então a embriaguez dos mesmos transformando-se a casa da guarda n'uma adega.
A esta sublevação não foram inditferentes os grumetes da Praça que intimaram os negociantes para recolherem as cedulas e fizessem circular metal.
Ao Governador da Praça, Torres, havia-lhe sido concedido seis meses de licença para o Reino pela Portaria de 26 de maio; em 13 de setembro embarcou para Lisboacomo deixasse a Praça, sem ser substituido e em condições criticas, foi submeltido a um conselho de investigação.
Em Cabo Verde, porem, Governador Geral tomava providencias, reunindo no dia i2 de setembro o Conselho do Governo, deliberou-se mandar um ofllcial de intelligencia a Bissau, que fosse de inteira confiança, para syndicar dos motivos, reaes ou apparentes, que deram Jogar á insubordinação e para dar as providencias que julgasse necessarias,que com este official fosse outro, intelligentepara coadjuvar o Governador na maoutenção da disciplina e subordinação; resolveu-se tambem que o pagamento continuasse alli a ser feito em generopelo preço do mercado.
Nomeou-se o tenente Coelho, que recebeu as seguintes instrucções, acompanhou-o o tenente Francisco Alberto de Azevedo.
O tenente do exercito de Portugal, José Maria Coelho, é nomeado para ir a Bissau em commissão de serviço de Sua Majestade, para que embarcará na escuna Therezaao serviço da Provínciano dia que posteriormente lhe for designado; no desempenho d' esta commissão observará o que abaixo se lhe prescreve:
· 1. Deverá conferenciar com governador da Praça de Bissaude quem se infurmará convenientemente acêrca dos motivos, reaes ou apparentes, que deram origem aos acontecimentos dos dias 3 a 5 de julho, em que guarnição tumultuariamente, e em formal insubordináção, rncusou receber o pret em generos, na conformidade do contracto celebrado por a Junta da Fazenda d'esta Província com Caetano José Nozolini.
2;º Pela mesma forma haverá todas as informações que puder sobre os meios que se empregaram, e por parte de quem, para que esta insubordinação apparecesse; quaes são as queixas que os soldados teem allegado contra a forma de pagamento em generos; bem como se soffrem com ella prejuizosquaes os· inconvenientes que resultam da dita forma de pagamento.
3.º Dacordo com o mencionado governador procurará os meios maiefficazes para fazeembarcar a bordo descuna Thereztodoocabeças do motim dos referidodias; e quandnão seja possível todosa partd'elles que o for; havendo-se nisso com toda a prudencia e discriçãopoique não leva força quo possa auxiliar, e quando isto não seja absolutamentpossívelcomesmo governadocombinará o que for mais a proposilo para se levar a effeitapenas alchegaembarcaçãde guerra. mesmtenente é poesta Portaria autorizado a dar em meu nomaprovidencias interinas que a urgencia dofactos imperiosamente reclamar, contanto que não offendam as Leis do Reino, e Ordens de Sua Majestadesendo-mpor ellapresentadas, nseu regressa esta Província, aprovidenciaque tomou em virtude d'esta autorização para eu resolvedefinitivamente. Quartel General do Governo da Prorincia, na ilha da. Boa Vista13 dsetembro d1843 Francisco de Paula Bastos, brigadeiro, Governador Geral.
Um domelhoreserviçod'este goverrnador Torres em Bissau foarranjar uma casa confortavel para servir dhospital, com camas, botica e um boticarioAbandonou antigo hospital, que era uma casa humida, terrea e sem janellasnão tinba camanem botica. Era dirigidpoum condemnado a desterro para Angola, no tempo de D. MiguelNessa Proncia havisido tambecondemnado, por um crime que commetteu, á grilhetpara Guiné, onde se dedicoá profisde curandeiro.»
Subsidios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte V, pgs. 4-10, Lisboa, 1911
1843/09/14
«O governador geral em 14 de setembro, tendo em consideração as informações do tenente Coelho, que havia mandado a Bissau por causa da sublevação dos soldados em julho e das que lhe forneceu o governador interino Antonio da Silva Cardoso em 6 de outubro, tomou as seguintes providencias, depois de ouvir o Conselho do Governo :
1.ª Mandar para Bissau 56 praças de pret e officiaes necessarios para render a guarnição.
2.ª Mandar o brigue de guerra Vouga para ali.
3.ª Que o pagamento nas Praças da Guiné fosse feito em metal sonante.
4.ª Que se nomeasse um official intelligente para governador da Praça.
5.ª Nomear um official de confiança para cuidar da disciplina.
6.ª Mandar substituir o director da alfandega que servia de escrivão da Commissão de Fazenda.
Para governador interino nomeou-se o capitão José Antonio Serrão, com a gratificação de 460$000 réis, e para director da alfandega João Severiano Duarte Ferreira. Comtudo o governador, em portaria de 2 de dezembro, tomou providencias nomeando uma commissão de inquerito a Bissau, por assim ter-lhe ordenado a portaria régia ·de 23 de outubro de 1843, que mandou se procedesse a um conselho de investigação nessa Praça, verificando aquelle conselho : «se tambem o governador Torres se portou, durante o seu governo, como era de conveniencia e se desenvolveu a necessaria energia para rebater a insubordinação, ou se deixou, pelo contrario, de haver-se como lhe cumpria e era do seu dever, para · reprimir e castigar os insubordinados»:
Attribuiu o conselho essa insubordinação á impunidade havida com outras identicas nessa Praça; e quanto ao governador Torres, informou: que mal poderia elle remediar males inveterados emquanto houvesse soldados desmoralizados na Praça.
O conselho não disse bem a verdade. Os soldados morriam de fome e andavam nús, por ser o pagamento feito cm cedulas, que soffriam desconto, mais de 50 °lo nas lojas, em tabaco e aguardente. Os rendimentos da Guiné estavam arrendados a um contratador (NOZOLINI?), que recebia sete contos de réis em metal, e pagava dezeseis em generos e cedulas á Fazenda. Evidentemente eram roubados os servidores do Estado.
O Governador Geral, por portaria de 2 de dezembro de 1843, nomeou uma commissão composta do commandante do brigue de guerra Vouga (Francisco de Assis e Silva), do seu ajudante de ordens e chefe do estado maior e do escrivão deputado da Junta da Fazenda, afim de restabelecer em solidas bases. a tranquillidade n'aquella Praça, assegurar a disciplina da guarnição da mesma e fiscalizar os actos do empregado de Fazenda alli em comissão.
O quartel da guarnição estava inhabitavel e para que os soldados se não vissem obrigados a fazer barracas para suas habitações, ordenou-se o indispensável concerto d'uma parte d'aquelle quartel, com uma tarimba e competentes cabides e armeiros, aproveitando-se a telha e madeira que ainda estivessem em estado de servir, de maneira que a obra ficasse concluida antes da estação chuvosa.
As muralhas estavam com falta de cal e o fosso, completamente entulhado, permittia que os gentios, em occasião de guerra, subissem as muralhas e entrassem de noite na Praça para matarem as sentinellas.
Propunha este chefe do estado maior que se mandasse demolir algumas das choupanas dos grumetes, que estavam juntas ao fosso, a distancia de uma ou duas braças, porque impediam a Praça de fazer fogo para o lado da terra e serviam de abrigo aos gentios, que d'alli matavam as sentinellas e atiravam sobre os soldados que nas baterias guarneciam a artilharia, o que alli era vulgar em occasião de desordens.
Tentou o chefe de estado maior demolir essas casas (palhoças) fazendo promessas aos grumetes de, com o producto de uma subscríção, que lhes construiria outras em pontos mais afastados do fosso, sendo neste assunto consultado o Juiz do Povo, que respondeu: só á força poderia conseguir-se semelhante cousa. Para isso seria preciso aumentar-se a guarnição e permanecer alli um navio de guerra por algum tempo.
Dos edificios publicos, á excepção da casa do governador, que ra concertada, estava tudo no maior estado de ruina. Não havia alli um cirurgião; morria-se ao abandono.
Na ilha de Bolama, dependencia de Bissau, continuava a existir um pequeno destacamento, porem os navios de guerra inglezes não permittiam que se içasse a bandeira portugueza, achando-se alli dois inglezes, que arvoràram a bandeira d' esta nacionalidade; este negocio se achava affecto ao governo e por isso ordenou o chefe do estado maior ao governador interino de Bissau, Serrão, que sem ordem do Governador Geral não retirasse a·que\le destacamento.
O commandante do brigue de guerra Vouga, Francisco de Assis e Silva, tambem recebeu instruccões sobre a conducção do pessoal e praças para Bissau, que lambem embarcaram na escuna Tarrafal, e que de conserra seguiu com o referido brigue...» -
Subsidios para a História de Cabo Verde e Guiné,  por Christiano José de Senna Barcellos,  parte V, pgs. 16-18, Lisboa, 1911
1853
1853 - Insubordinação do presídio de Geba. O Comandante de Bissau, Francisco de Azevedo não conseguiu dominar a revolta e foi com a ajuda de Honório Barreto que se estabeleceu um plano e paz.
- Esquadrilha inglesa em Canhabaque (dezembro).
JOSÉ MARIA CORREIA DA SILVA é capitão-mor de Bissau até 1854
DIOGO MARIA MORAIS, governador interino de Bissau
Escassez de colheitas, especialmente nas ilhas do Sal e Boa Vista
1853/05/02
Em 2 de Maio de 1853 rebenta uma rebelião no presídio de Geba, tendo HONÓRIO PEREIRA BARRETO partido para lá no dia 10 para a dominar. Conseguiu-o dez dias depois. Após a pacificação de Geba foi solicitada a sua intervenção para obter uma paz com os papéis que parecia não mais se realizar. Tentou negociar mas os comandos não aceitaram as suas propostas. No final de 1853 assumiu o governo interino de Bissau, tendo-o entregue ao seu proprietário, capitão-tenente ROMÃO FERREIRA, em Fevereiro do ano seguinte.
«Em 13 de maio de 1853 relatou governador interino da Guiné, Azevedo, que em 2 d'este mez teve noticia de uma rebellião em Geba promovida pelos indigenas, que o obrigou a ir a essa povoação para restabelecea ordem, sem resultado algum, por se negarem a prestar obediencia., e por isso convidou o governador interino de Cacheu, Honorio Pereiro Barreto, para se dirigir áquelle ponto, onde, pela sua influencia que tinha para com estes povos, os poderia submetter.
Acceitou Honorio essa incumbencia tendo sido acompanhado, por solicitações suaspelo negociante João Marques de Barros, seguiu no dia 10 do referido mês de maio e conseguiu pacificar Geba.
Em 18 dmaio apresentou Honorio Barreto o seu relatorio. Em 11 chegou a Geba e a 13 reuniu os moradores e os aconselhou a serem obedientes ao governo. 
Responderam que haviam recebido de Nicolau Monteiro de Macedo algumas cartas prevenindo-os do exclusivo do sal, que este exclusivo lhes era prejudicial, pois tinham de comprar por seis bandas sangra do sal que até ali compravam por duas; que desesperados, por isto, tinham também impedido a saída das producções d'aquelle ponto.
Que emquanto aos direitos do sal, declararam que nenhuma protecção recebiam do governo, pois que sua igreja estava a cair e não se dava dinheiro para a sua reconstrucção; que havia ali duas peças de artilharia montadas á sua custa não do governo e que, finalmente, quando eram escravizados pelos gentios, a cujas terras eram obrigados a ir buscar sustento, eracomprados pelos negociantes, ficando escravos, sem que o governo se intromettesse em tal.
Mais disseram que foram ameaçados por Nicolau Macedo que os havia de reduzir ao maior apuro, obrigando-os a serem mandingas que estavam convencido.que o imposto do sal fôra estabelecido só para satisfazer este negociante, o quexplicavam mencionando facto do gentio de Bericama ter tomado os hens pertencentes a Nicolau Macedo, os quaes se achavam naquelie territorio, por causa da questão José Valerio. Então Macedo pagou aos grumetes de Geba para atacarem Bericama; depois de pagos recusaram-se combater; então jurou vingança a Geba o imposto do saproporcionou-lhboa occasião para isso, vendendo ao gentio por 200 réis cada sangra que até ali era a 400 réis, prejudicando assim commercio de Geba.
Garantiu-lhes Honorio que o Governador Geral não approvaria mais esse exclusivo que só· pagariam imposto como estava estabelecido; declararam então entrar na obediencia não difficultariam aos negociantes de Bissau o commercio.
Todavia imploraram de Honorio para que conseguissque a fiscalização do imposto fosse no forte de S. Belchior, porque eram obrigados a vir aporto de Bissau despachar sal antes de o comprar e assim despachavam muita vezes um certo numero de sangras que depois não compravam noBalantas, perdendo taes direitos; estes direitos pagayam sobre os objectos que levavam para comprar sal; álem d'isto eram obrigados a desembarcar em S. Belchior para se verificar despacho.
Finalmente solicitaram-lhe que os alliviasse de semelhante imposto, pois era com o sal que compravam generos alimentícios.
Honorio Barreto prometteu-lheinterceder junto do Governador Geral para que fossem attendidos nas suas justas aspirações, e muito concorreu João Marques de Barros para tão bom resultado, e tendo-sfeito a despesa de 58$100 réis, com esta diligencia, não quis estnegociantqufazenda lhe pagasse.
No dia 20 apresentou-se em Bissau Honorio Barreto com doihomens de Geba que vinham em nome d'aquellpovo prestar obediencia pedir que o sal se despachasse em S. Belchior pelos motivos allegados.
O governador dBissau informon beesta pretensão ao Governador Geral, bem como a da reconstruão da igreja.
Effectuada a pacificação dGeba empenhou-se Honorio Barreto econseguir a paz com os grumetes rei dBandim, em Bissau, sob condição de entregarem os escravos e soldados que para ali tinham fugido, garantindo-lhegoverno que algumas questões procedentes ddividaque tinham na Praça se davam por de nenhum effeito.
Nem os grumetes e nem e rei de Bandim se sujeitaram ácondições impostas.
Em 5 de junho de 1853 houvuma revoltapuramente militar, na Praça dBissau, devido ao poucsenso do commandantda bateria.
Governava a Praça, interinamente, major Diogo Maria de Moraes, que pediu auxilio ao governo francês para a sutlocar e para Cabo Verde aGovernador Geral.
Os soldados saquearam Praça e embora fossem máas nossas relações com os grumetes e gentios vizinhos, estes apenas se approximavam da Praça, sem nohostilizar, só para receber algunobjectos roubados pelos soldados.
Em soccorro da Praça appareceu brigue francês Palinure, sob o comando do capitão de mar e guerra Augusto Bosse, no dia 18 djunho, cuja guarnição logo occupou Praça, depois dtravar lucta com os insubordinados soldados.
Governador Geral organizou uma expediçãque partiu para Bissau no dia 15 de agosto, composta da escuna Cabo Verde do patacho Eleonor; bordo da escuna seguiu o major reformado Francisco Alberto dAzevedo, nomeado presidentdo conselho de investigação .que haviam de responder todas as praças do batalhão de linha, que se revoltaram, tendo sido também nomeado governador interino, durante impedimento do effectivo., Correia da Silva.
No Eleonor seguiram um capitão, dois segundos tenentes e sessenta e novpraças.
Convencionou Governador Geral, que tinha passado a Bissau, com o rei de Bandim e com o juiz dos grumetes para a entrega de escravos fugidos, concedendo-se liberdade aos gentios e grumetede entrarem na Praça e aos moradores d'esta lívre passagem no terreno dos gentios.
Pcrmittiu mais que os grumetes tornassem a vir habitar junto á Praça, mas com sujeição ás autoridades portuguesas.
Deixou contratada construcç.ão dum edificipara alfandega, que seria custeada pele rendimento dos armazens.
governador, em data dde outubro de 1853, fez uma longa exposição ou relatorio, d'estacontecimento que o obrigou a embarcar no vapor ilfindello, mandadde Lisboa a Cabo Verdpara o receber conduzi-lo Bissauo qufez no dia 19 de setembro, saindo de S. Vicente, para onde tinha passado da ilha Brava, no referido vapor que ali fôra receber carvão.
Chegou Bissau a 24., encontrando já a Praça em socego, para que contribuiu o navio de guerra francês, e á activa vigilancia do governador interino, dos ofliciaes de guarnição e negociantes que, com seus escravos armados, auxiliaram as autoridades efficazmente, guardando os cabeças de motim presos em um brigue fundeado no porto, fazendo-se rondas patrulhas.
Álem dos cabeças de motim tinha o major Moraes mandado para a Praia 24 praças de pret, 19 para Cacheu e algumas outras para o forte de S. Belchior, ficando só com recrutas ainda algum tempo depois da retirada do brigue francês. A guarnição d'este brigue occupou a Praça durante 21 dias, desde 18 de junho até 9 de julhoadoecendo-lhe muita gente, o que fez apressar sua retirada. Recebeeste brigue algum mantimento por conta da fazenda um pratico do canal, tudo ua imporlancia de uns 120$000 réis, que o commandante quipagar. e no que não consentiu governador Moraes.
Pretendeu o commandante da Palinure arvorar a bandeira francesa ao lado da portugueseBissau, mas não conseguiu esse desejo por se oppôr isso o governador.
revolta, puramente militar, foi consequencia da pessima administração do commandante da bateria. Tanto este commandante como os cabeças de motim responderam, em Bissau, um conselho de investigação embarcaram, em 18 de setembro, no pataoho Eleonor para villa da Praia, sendo o patacho comboiado pela escuna de guerra Cabo Verde.
Os gentios, munidos de cabazes e balaios, occupavam os arredores da Praça para auxiliarem os soldados no saque.
Por occasião d'essa revolta apresentou-se em Bissau novo governador nomeado, o capitão de engenheiros José Maria Correia da Silva, que mostrou sempre grandhesitação nas medidas que lhe eram reclamadas, adoecendo com febres ligeiras, succumbiu a tal ponto que entregou governao capitão Gregorio Alexandre Medina, que procedeu com energia.
Existia, havia annos, uma causa de desconfiança de permanente hostilidade, que convinha remover no primeiro ensejo favoravel.
guerra, havida em 1844, entra Praça e os gentios vizinhos, deu logar a que fossem expulsos os grumetes que habitavam nos arredores da Praça, por estes consentirem que, da sua povoação, os gentios fizessem fogo contra a fortaleza; foram queimadas arrasadas essas casas, e nesse terreno, junto á praia, edificaram alguns negociantes casas regulares e mesmo fizeram algungrumetes que se conservavam fieis ao governo, as quaes ficaram protegidas por uma tabanca, que se construiu de pedra, e pelo forte do Pigiguiti. lado opposto da Praça estava fechada por uma estacada que terminava n'o mar.
As terras circumvizinhas á Praça pertenciam aos grumetes e não obstante isso conservavam-se incultas desde 1845, tendo sido infructiferas todas as diligencias por elles empregadapara as virem cultivar e habitar.
Esta tenaz denegação da parte da Praça, junto ao signal permanente da desconfiança contra elles, caracterizados pela tabanca e palissada, bem assim os maus tratos de que muitavezes eram victimas, quando vinham a Bissau tratar de negocios, pela soldadesca desenfreada sem que ninguém attendesse as suas reclamações, foram as causas por que os referidos grumetes estiveram em hostilidade permanente contra a povoação Praça; d'ahi resultou terem dado descarado acolhimento aos desertores aos escravos dos habitantes da povoação, influindo para que rei de Bandim se recusasse entregá-los, como d'antes fazia.
Em março, quando ali esteve o Governador Geralpela primeira vez, em Bissau, tinha encarregado Honorio Barretde tratar d'esta questão com rei de Bandim, promovendo a entrega dos escravos; o resultado não correspondeu á espectativa do governador, por aquelle rei e o juiz dos grumetes se recusarem a entregá-los, allegando a má fé com que sempre se tinha tratado com elles falta de promessas.
Já em Cabo Verde pensava o governadono modo de realizar sedesejo, de chamar grumetes e gentios á obediencia, sem derramamento de sangue e para isso nomeou interinamentpara governador o major Moraes, official valente, a quem recommendou: muita prudencia no trato com os povos circumvizinbos á Praça, e a maisevera manutenção da disciplina na tropa da guarnição; e, tambem, o acabamento das reparações na fortaleza nos quarteis.
Mais animado ficou o governador com o apparecimento do vapor Mindello, mandado pelo governo para restituir a paz ordem em Bissau e aproveitando esse ensejo para nova tentativa, passou a Bissau.
presença ali do primeiro navio a vapor português causou terror aogentios e não menoaos grumetes.
Estabeleceu o governador sua residencia a bordo e ali convocou uma conferencia ao chefe dos grumetes, que veio com os seugrandes, na companhia do negociante Nicolau Monteiro de Macedo; foram recebidos na camara do navio ali disse-lhe o governador que era seu firme proposito trata-locom amizade, por se terem recusado a acceitar o convite que lhes fôra feito pelos soldados revoltosos e só lheexigia entrega dos escravos, fugidos no chão dos gentios.
O juiz do povo desculpou-se com rei de Bandim, que deu hospitalidade aos referidos escravos.
O governador, então, chamou não só esse rea uma conferencia, ou palavra, mas os de Antim, amigos da Praça, e de Antulla, a qual se realizou, na Praça, no dia 30, com assistencia dos grandes d'estes regulos e negociantes, obrigando ·se o regulo de Bandim a entregar os escravos e a conservar boas relações com o governo.
O Governador Geral, ao sair da Guiné, entregou uma carta de prego ao governador de Bissau, José Maria Correia da Silva para, no caso de ter de abandonar o governo, o entregar a HonoriBarreto.
conselho de investigação apurou como culpados 48 praças um official, que responderam a conselho de guerra, sendo condemnadas a degredo perpetuo ; em ultima instancia responderam perante a Junta de Justiça, em 6 de junho de 1854, tendo sido condemnadas 41 praças e o official. Em 16 do mesmo mêspor terem sido condemnadas só 6 praças degredo perpetuo para Angola, foram estas exautoradana praça do Pelourinho da villa da Praia. assistindo este acto o batalhãdartilharia dois corpos de 2.ª linha.
Junta condemnou: o official, capitão da 5.ª bateria, Frederico de Abreu Castello Branco, expiada a culpa com o tempo da prisão jâ sofrida e na mesma pena a 12 praças; degredo por cinco annos 2 praças; doiannos de trabalhos publicos com cadeia do pé á cintura e presos a outros companheiros, oito praças; um anno de trabalhos publicos como os antecedentes, treze.
O governo, por Portaria régia d26 de agosto de 1853, pediu ao Governador Geral uma relaçãde nomes dos officiaes e praçado brigue de guerra francês Palinure, afim dserem agraciados pelos valiosos serviços quprestaram á Praça dSJosé de Bissau por occasda revolta militar havida e5 e 18 de junho d1853.
O ministro dos Negocios Estrangeiros, visconde de Athouguia, mandou ao da marinha a cópia dum officique o nosso ministro em Paris lhe enviara, nqual informava ácerca da pensão que o governo francês arbitrara â viuva do tenentda marinha francesa de la Gillardaie, morto em Bissau, propoo quantitativo d'aquella que, por parte de Pórtugal, houvesse de conceder-se â mesma viuva, indicando igualmentas condecorações que julgavse poderiam conferir a alguns officiaes e indivíduoda tripulação do mencionado brigue, qumaise distinguiram por occasdo conflicto.
Subsidios para a História de Cabo Verde e Guiné, por Christiano José de Senna Barcellos,  parte V, pgs. 273-, Lisboa, 1911
1853/06/05
«Amotinação e intervenção francesa em Bissau (5 de Junho-8 de Julho de 1853)
Em contrapartida, Barreto fracassa numa tentativa de mediação entre, por um lado, as autoridades de Bissau e, por outro, os grumetes (expulsos da praça em 1844) e o régulo de Bandim (39). Trata-se de saber se Bandim será uma terra de asilo para os escravos que fogem de Bissau. Bandim mantém-se firme. Ao fim e ao cabo, este ano de 1853 não é mais que uma sucessão de humilhações para a feitoria pois que, a 5 de Junho, rebenta uma amotinação na fortaleza de Bissau, devido à incapacidade do comandante da bateria. Os soldados põem a vila a saque, mas nem os grumetes nem os Papéis extra muros tiram partido disto para sitiar a praça, contentando-se em ficar com aquilo que os amotinados lhes vendem ou que com eles trocam. O governador interino, Diogo Maria de Moraes, apela instintivamente para os franceses de Goreia e, mais utopicamente, para Cabo Verde. São, evidentemente, os marinheiros do Senegal os primeiros a aparecer na pessoa do chefe do estado-maior da expedição aos Bijagós, três meses antes, o capitão-de-mar-e-guerra Auguste Bosse. Os Franceses chegam num brigue da Armada, a 18 de Junho. O governador português sobe a bordo e obtém que um destacamento, de cerca de 70 marinheiros franceses, desembarque para surpreender os amotinados. Estes, em número superior (160), tentam opor-se a esta «invasão», que irá desalojá-los da sua fortaleza e, no fogo da acção, matam o oficial que comanda, como imediato, o destacamento, o tenente de Marinha Jules Marie Jean de la Gillardaie (40).
Os Franceses apoderam-se finalmente da fortaleza e uma centena de soldados (cabo-verdianos, assim se julga), fogem para os Papéis (41). Bosse e os seus marinheiros ocuparão a fortaleza de 18 de Junho a 9 de Julho de 1853, segundo os Portugueses ou, mais provavelmente, de 18 de Junho a 4 de Julho, segundo Bosse (41). Esta ocupação parece ser, de momento, uma prudente medida de salvaguarda mas, vista retrospectivamente, lança uma luz das mais cruas sobre a inconsistência da presença portuguesa nesta «capital», privada de soldados seguros. O governador nem mesmo assim aceitará que a bandeira francesa flutue sobre Bissau. Esta «ocupação de precaução» exigirá uma extrema vigilância dos marinheiros em terra, mas Bosse organiza
os grumetes «mais lidos», que vão apanhar a maior parte dos amotinados, tendo os Papéis decidido entregá-los. 45 dos cabecilhas serão enviados para Cabo Verde e para Cacheu. Os Franceses tiveram perto de 80 doentes com febres. Decididamente, como com os Americanos em 1844, Bissau devora os marinheiros estrangeiros. Entre a partida dos Franceses (8 de Julho) e a chegada (pelo final de Agosto), de três oficiais e 69 soldados enviados pelo governador-geral de Cabo Verde, Bissau não parece ter sido inquietado pelos Papéis nem pelos grumetes, nem pelos amotinados fora das muralhas.
Quando, um mês mais tarde, a 24 de Setembro, o governador-geral Fortunato José Barreiros volta, enfim, a Bissau, no vapor da Armada que Lisboa lhe enviou - o primeiro navio a vapor portugs nesta costa -, o burgo está sossegado. Os insurrectos, regressados da sua escapada entre os Papéis, foram dispersos ou repatriados e os seus chefes foram enviados para Cabo Verde, aguardando Conselho de Guerra. O governador-geral está, pois, contente com a situação (43).
O importante neste triste episódio de soldados sublevados, é que Fortunato JoBarreiros, vindo a Bissau para estabelecer a ordem nas tropas, acaba por concluir acordo (30 de Setembro de 1853) com os diferentes régulos papéis (Bandim, Intim, Antula), e com o Juiz dos grumetes de Bandim, para que entreguem os escravos fugitivos e concedam
livre passagem aos moradores fora da feitoria, em troca do qual poderão entrar na vila e os grumetes do exterior reinstalarem-se perto da fortaleza, sob a autoridade dos Portugueses. É portanto, em 1853, o final provisório da guerra de 1844.
(39) Jaime Walter: op. cit., pp. 104-105. Mesma observação sobre o erro de Barcellos.
(40) A sua vva receberá uma pensão do governo português.
(41) F. de Novais: «Acontecimentos de Bissau», Revista Militar, 1853, pp. 373-374.
(42) A.N.S.O.M. Afrique IV. Dossier 25b. Cartas de A. Bosse de 20 de Junho e de 18 de Julho de 1853. Os Franceses partem a 8 de Julho, com os agradecimentos da população.
Importante dossier sobre 1853.
(43) I. de Novais: «Cabo Verde». Revista Militar, 1853, pp. 464-465
René Pélissier, História da Guiné Portugueses e Africanos na Senegâmbia 1841-1936, Volume I, EDITORIAL ESTAMPA, 1997, p.p. 120-122
1853/07/09
Ao ter conhecimento da insubordinação de 48 praças, ocorrida em 5 de Junho na Praça de Bis­sau, o Governador-geral de Cabo Verde, FORTUNATO JOSÉ BARREIROS, nomeado em 1851, fez em­barcar uma força da cidade da Praia com o fim de dominar os amotinados e render a guarnição respectiva. Bem necessárias eram providências de defesa na Guiné, bem como as que se referem aos vencimentos militares; sendo para desejar que se mantenha na guarnição, que deve ao menos ser suficiente, a mais severa disciplina, para que senão repitam os factos que se deram em Julho de 1853, que tornaram indispensável o auxílio do brigue de guerra francês Polinure; havendo a lamentar a morte do primeiro tenente deste navio La Gillardaie, comandante do primeiro pelotão da força francesa que atacou os sublevados. O governo português, depois de haver mandado de Lisboa expressamente o vapor de guerra Mindelo com a precisa força militar e as necessárias munições de boca e de guerra, decretouuma pensão àviúvado mencionado valente e infeliz oficial francês, declarando as cortes dignos da gratidão nacionalos serviços prestados a Portugal na praça de Bissau pela guarnição do brigue de guerra francês já mencionado.
1853/12/00
Pedro H. Romão Ferreira – governador da Guiné por decreto de Dezembro de 1853.
1880/04/08
Foi condecorado com o grau de comendador da Ordem da Torre c Espada o primeiro Governa­dor da Província da Guiné, tenente-coronel AGOS­TINHO COELHO, por ter conseguido de modo enér­gico sufocar, em Bolama, a revolta do batalhão de caçadores n.º 1 da África Ocidental, que tinha por fim constranger o mesmo Governador a man­dar pôr em liberdade 2 oficiais daquele corpo.



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